São Paulo - À primeira vista, ''ParaNorman'' pode parecer apenas um decalque talentoso da obra de Tim Burton. O filme reúne vários elementos que fizeram a fama do cineasta americano em animações como ''O Estranho Mundo de Jack'' (1993) e ''A Noiva Cadáver'' (2005): a técnica de ''stop-motion'', a brincadeira com os clichês do terror, o protagonista rejeitado pela sociedade...
Mas, como já haviam feito no excelente ''Coraline e o Mundo Secreto'' (2009), os realizadores de ''ParaNorman'' mostram ter uma visão particular do mundo e do cinema.
Norman é um garoto que vê pessoas mortas - conversa e convive com elas - em uma pequena cidade americana. E, por isso, é visto como uma aberração por colegas de escola e pela família.
Certo dia, cumprindo a antiga maldição de uma bruxa, um grupo de zumbis sai de suas tumbas e aterroriza a cidade. O único que poderá salvá-la é o renegado Norman.
Até aí o filme oferece o menu tradicional do terror, adaptado ao universo infantil. Mas um detalhe fundamental muda o cenário: a bruxa é uma menina perseguida há mais de 200 anos por seu comportamento.
Ou seja, a cidade do filme é uma versão ficcional e atualizada de Salém -povoado americano onde mulheres foram queimadas por suposta bruxaria no século 17 (e inspirou a peça ''As Bruxas de Salém'', de Arthur Miller).
Por trás da aparência ingênua, ''ParaNorman'' traça um paralelo histórico da intolerância americana: das mulheres mortas por puritanos do passado aos garotos vítimas de bullying no presente.
Em termos cinematográficos, o filme também traz novidades em relação às animações que brincam com os clichês do terror: saem as referências aos anos 50, tão caras a Burton, e entram as citações aos 80 - do ''Thriller'', de Michael Jackson, aos ''Goonies'', de Richard Donner.
Ao final, ''ParaNorman'' confirma uma tese que Burton já havia demonstrado: a animação infantil é hoje muito mais madura do que a ficção hollywoodiana.

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