Ex-diretora do Filo e atual diretora presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra (CCTG) Nitis Jacon não pára, paraniza. Nada mais natural, já que o termo Paranização foi criado por ela mesmo no ano passado. Ao procurar um nome para o novo programa do CCTG um projeto cultural para todo o Estado
Nitis passou correndo por interiorização (''nunca gostei disso'') e estadualização (''difícil''). ''Mas só se tornou oficial depois de um discurso do Governador, em que ele disse que faria a Paranização da Cultura'', lembra Nitis. De acordo com a diretora, Roberto Requião parece ter gostado tanto do termo que tem usado em outros contextos. ''Já o ouvi dizendo paranização da indústria, por exemplo'', completa.
''A essência do programa é disponibilizar a estrutura do CCTG para o Paraná todo. Não é uma iniciativa de levar cultura para o interior porque levar significa que não existe cultura no interior. Pelo contrário'', conta Nitis. ''A idéia é ter cultura em todas as direções, criando uma rede, uma malha, um tecido cultural'', avisa. Como um passo leva a outro, o caminho iniciado oficialmente em janeiro deste ano deve levar à criação de um sistema estadual de cultura. ''Assim como existe o sistema da saúde, da educação'', conta a diretora.
Quando fui para Curitiba (assumir o CCTG) me dei conta do patrimônio inestimável que o paranaenses construíram e percebi que tinha que ser disponibilizado para todos'', diz. A expectativa de Nitis é que no final do governo o Paranização se torne uma política pública com direito a orçamento e legislação. Para este ano, a verba conquistada foi de R$ 450
mil. ''É menos do que foi pedido, mas não ficamos choramingando. Usamos a criatividade para conseguir parcerias'', ensina.
Em quatro meses, o programa já conseguiu colocar em andamento 13 projetos que vão dos boletins bimestrais, rádios comunitárias, passando por circo teatro e carreatas populares. Empolgada, Nitis, não esconde o orgulho em falar sobre cada um dos projetos e todos têm respaldo das prefeituras municipais. Para o circo teatro, por exemplo, as prefeituras isentam os impostos e ainda oferecem pontos de luz e água. ''São 10 famílias circenses que estão resgatando essa história'', relata. As caixas móveis serão como bibliotecas itinerantes oferecendo livros para a comunidade. ''Contatamos a imprensa oficial do Estado e vão ser impressos milhares de contos de autores paranaenses no formato de cordéis'', avisa.
Cidades que já contam com espaços cênicos deverão receber ainda este mês cartilhas técnicas com dicas que vão de iluminação a camareiras elaboradas pelo CCTG. ''Muitas prefeituras já estão na fila'', conta Nitis. Além desse manual, o corpo técnico do Guaíra também vai ministrar cursos para funcionários dos municípios participantes. O mesmo deve acontecer com as oficinas de dança. ''Professoras virão a Curitiba e as professoras do Guaíra irão para as cidades'', explica. ''Se eu tiver que sair por algum motivo, sei que já deixei essa semente'', avisa Nitis Jacon, sempre cheia de planos. Afinal ela não pára, paraniza.

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