Parando o trânsito e fazendo pensar
Parando o trânsito e fazendo pensar
Uma cadeira amarela foi colocada numa das curvas da Avenida Anita Garibaldi, no bairro Ahú. É impossível não vê-la. A obra é uma criação do artista plástico e grafiteiro Edilson Viriato, um dos escolhidos pela organização da 8ª edição do Festival de Teatro de Curitiba. O muro, assinado por ele, tem o objetivo de fazer as pessoas pararem, olharem e pensarem um pouco sobre o tema.
Quando você vai ao teatro, obrigatoriamente senta-se numa cadeira e é ali que o inesperado acontece, justifica Viriato. Você pode sair chorando ou rindo, diz ele.
Quando pintou uma cadeira quebrada, com apenas três pernas, e um cachorro pós moderno observando a cena, ele quis estabelecer uma relação com a vida. A pergunta que o cachorro deve estar fazendo é: quem será o próximo que vai sentar e cair?, explica.
Ele aplaude a iniciativa da organização do festival e diz que isso faz com que a arte cresça cada vez mais no Brasil, atingindo mais gente. Quando eu estava pintando, muitas pessoas paravam para olhar o trabalho, conta.
O mesmo aconteceu com a artista plástica curitibana Adelina Furuie, que grafitou um disco voador entregando moedas, na Avenida Paraná, no bairro do Cabral. Em dois dias, mais de 30 pessoas me abordaram, conta. Sua intenção foi a de falar sobre um tema atual, o caos econômico do País, mas com um cunho espiritual. Acho que a resolução não está nas coisas terrenas, afirma. Por isso, ela usou muito azul e amarelo, para transmitir um clima mais espiritual à obra.
Esta foi a primeira vez que ela pintou um muro e o que mais chamou a sua atenção foi o grande interesse das pessoas em relação ao trabalho. Isso fez com que ela começasse a pensar num projeto de destinar locais apropriados aos pichadores, para que eles pudessem expandir mais a sua arte, sem agredir.
O grafiteiro Jonathan Rodrigues Santos concorda e defende a idéia de que os grafites podem enfeitar a cidade com arte e cultura, permitindo o acesso de todos à arte. As pichações deveriam se transformar em grafites, resume. Tomara que a iniciativa do festival leve outras pessoas a permitirem o grafite em muros.
Ele foi o responsável por decorar o muro da esquina das ruas Roberto Barrozo e Mateus Leme, no Centro Cívico. Meninos dançando break, com direito a rádio e DJ, retratam a cultura hip-hop. Esses muros passam a fazer parte da vida das pessoas, deixando a cidade mais colorida, diz o artista.
Ele levou três dias para pintar os 20 metros quadrados que classifica hoje como uma vitrine para seu trabalho. Ele conta que as pessoas que passavam enquanto ele estava trabalhando elogiavam os grafites e tentavam adivinhar o que estava acontecendo. A intenção da pintura é exatamente essa, a de mexer com as pessoas e acrescentar-lhes algo, acredita.
O artista Alex Cabral, que assinou o muro da esquina entre as ruas Padre Agostinho e Angelo Sampaio, no Champagnat, também acha que ganhou uma vitrine. Faria um muro por mês, se pudesse, confessa. Ele retratou rolos de macarrão em diversos tamanhos, em branco e preto. Há tanto muro cinza e sem graça na cidade que acho que deveria haver mais grafites, afirma.
(S.M.)





