Curitiba - Há quem resuma o Litoral paranaense a um único lugar: a Ilha do Mel. De fato, o paraíso é o segundo destino turístico mais visitado do Estado. Desembarcam lá mais de 120 mil pessoas, por ano. Pensando em aproveitar esse potencial da ilha, a Fundação de Turismo de Paranaguá propõe que o visitante troque o local de embarque da barca de Pontal do Paraná para a cidade histórica e amplie as possibilidades de passeios: fazendo turismo rural ou um city tour para conhecer o patrimônio histórico e cultural parnanguara, pegar uma barca até as colônias de pescadores ou para as ilhas de Superagui e Guaraqueçaba.
Para quem coloca o tempo de viagem da barca até a Ilha do Mel como um empecilho, afinal, de fato, saindo de Paranaguá gasta-se cerca de uma hora a mais, há argumentos para quem está disposto a sair do ''trivial''. ''Hoje Paranaguá é um pólo turístico internacional consolidado, cujo maior atrativo é a Ilha do Mel. Queremos que o turista fique um dia em Paranaguá, temos muito o que mostrar e estrutura para isso'', disse Rafael Guttierres Júnior, presidente da Fundação de Turismo, informando que o município já apresenta o turismo de negócios mais desenvolvido.
No dia 18, inclusive, uma outra vertente do turismo em Paranaguá, o religioso, terá o encerramento da Festa de Nossa Senhora do Rocio, a padroeira do Estado. O evento acontece, durante duas semanas, no santuário do Rocio e costuma receber quase 1 milhão de pessoas.
Quem optar por Paranaguá, não vai se arrepender. A cidade guarda tesouros culturais que só lá existem em todo Paraná. A começar pela própria história da origem do Estado. Lá tudo começou, ou melhor a partir da Vila do Rosário, cuja memória viva é a Catedral Nossa Senhora do Rosário, datada de 1578. Só em 1648 que a Vila mudou o nome para Parnanguara (grande mar redondo, em tupi-guarani) ou Paranaguá.
Ainda no Largo da Matriz, ficam a Casa da Cultura Monsenhor Celso e Casa da Música Basílio Itiberê, que compõem o conjunto de casarios no estilo colonial tombado pelo Estado. Uma mácula no centro histórico da cidade é justamente o descuido com a riqueza patrimonial. Poucos são os prédios em bom estado, em sua maioria se conserva apenas a ''carcaça'' das construções.
Talvez esse novo fôlego seja o empurrãozinho que falta para que o povo cobre dos órgãos competentes a manutenção e restauração desse patrimônio que é a memória material da origem do Paraná. Mesmo em meio ao descaso, a história sobrevive em Paranaguá. E se o guia for bem instruído, poderá contar registros ®MDBO¯®MDNM¯fantásticos ao turista, como a construção de túneis e galerias subterrâneas, que ligam a Fontinha ao Porto dos Padres (leste-oeste), a pedido da Coroa de Portugal, para uma possível fuga diante de ataques surpresas. Não é possível ver de perto, apenas na imaginação.
No Instituto Histórico e Geográfico, sediado num prédio do século 18, um acervo com objetos de particulares e públicos conta a evolução da vida em sociedade. Seguindo pela Rua 15 de Novembro, chega-se a antiga Escola dos Jesuítas (1755), onde recentemente foi construído no Museu de Arqueologia e Etnologia, uma estrutura feita em vidro e ferro, que permite ao visitante visualizar as camadas das paredes construídas há cerca de 300 anos. A composição ficou bem interessante.
Um pouco mais à frente, um resquício do período da escravidão: um pelourinho. Nessa rua, fica o único casario que ainda possui azulejos portugueses de Paranaguá, além da Igreja da Ordem, o Teatro e Cinema Municipal.
Chegando à Praça da Juventude, onde funcionou o primeiro porto de Paranaguá, o turista já pode se direcionar à Rua da Praia, paralela à margem esquerda do Rio Itiberê, e trecho onde o barulho dos motores das barcas reforça o cenário de cidade portuária. Lá está o Palácio Visconde de Nácar e também o centro gastronômico de Paranaguá, que oferece de barreado a frutos do mar.
Mas é no Mercado do Café, construção do século 19, que o cheiro seduz. Porque lá tem de tudo e com tradição. Como uma pastelaria chinesa com mais de 56 anos de atividade.
Quem estiver disposto a desembolsar um pouco mais, a sugestão é a Casa do Barreado que, há dez anos, é indicada como a melhor cozinha do Paraná pela Revista Quatro Rodas. No espaço agradabilíssimo, em clima praieiro, comer o barreado feito no capricho e na panela vedada com massa de mandioca vira quase um ritual.

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