O vídeo-documentário ‘‘A Vida dos Sem-Terra no Pontal’’ , produzido pelos jornalistas Benedito Teles e Emerson Dias, foi um dos 15 trabalhos classificados para a Mostra de Cinema, uma das categorias que congregam a 1º Bienal de Cultura, que acontece de sábado até o dia 30, em Salvador. O evento, cujo slogan é ‘‘Arte e Ciência a Favor do Brasil’’, é promovido pela União Nacional dos Estudantes. A organização espera cerca de 10 mil pessoas de várias partes do Brasil.
O vídeo-reportagem, com um total de 18 minutos e 30 segundos, foi feito exclusivamente como trabalho de conclusão do curso de jornalismo da Universidade Estadual de Londrina e teve orientação da professora Rosa Abelim. A banca examinadora deu nota 8.9. O projeto levou três anos para ser concluído - do início de 96 ao final de 98.
Durante esse tempo, Benedito Teles e Emerson Dias visitaram com certa regularidade agrupamentos de sem-terra nas Regiões do Pontal do Paranapanema (SP) e no sudoeste e norte do Paraná - quatro acampamentos (dois em Laranjeiras do Sul, um em Teodoro Sampaio e um em Itaguajé) e dois assentamentos (Nova Laranjeiras e um em Teodoro Sampaio). ‘‘Escolhemos o tema porque simplesmente trata-se do maior movimento social do Brasil que pode agradar ou não, mas não deixa ninguém indiferente’’- afirma Emerson Dias.
O projeto foi dividido em duas fases. A primeira, em 96, com incursões nos acampamentos registrando as atividades. A outra, em 98, teve como finalidade registrar os desdobramentos e as consequências (algumas benéficas) das ocupações ocorridas. O vídeo, que traz algumas imagens impressionantes, conta com depoimentos de sem-terras, alguns célebres como o líder José Rainha.
De acordo com os jornalistas, o vídeo, em que foi utilizado recurso VHS e com filtros e efeitos que tentam aproximar visualmente a de uma produção em película, a intenção foi fugir um pouco convencional de reportagem. Ou seja, em vez de enfiar a cara no vídeo nas tradicionais passagens, o repórter se interage com o meio como observador.
Teles e Dias foram os responsáveis pelas imagens, roteiro e edição (feita na TV Mix). A narração ficou a cargo do radialista e apresentador Pedro Mello. No total, foram seis horas de imagens (feitas com câmeras do curso de jornalismo da UEL) e depoimentos que somam um total de 10 dias. O trabalho foi feito com recursos próprios e custou, segundo os cálculos dos jornalistas, R$ 150 - na primeira viagem a um dos assentamentos tiveram ajuda de combustível da Assessoria Estudantil da UEL. No total, foram percorridos 2,5 mil quilômetros.

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