Paranaenses são destaque da programação de hoje
Espetáculos paranaenses ganham destaque na programação de hoje no 13º Festival de Dança de Londrina. "Bernúncia" inicia a programação dominical às 16 horas, no Zerão, com uma apresentação ao ar livre e gratuita, dando vida às manifestações da cultura popular e à herança afro-brasileira. Já "Entre dois muros, Marchemos", trata de lutas e superações, com encenação às 20h30, no Circo Funcart.
A enigmática e hipnotizante dança dos orixás é o ponto de partida de "Bernúncia", que recria a história da "cobra do caos", monstro devorador de crianças que as devolve à vida como mensageiros da paz. Primeiro trabalho de Luan Valero (que escreveu "A Pereira da tia Miséria", com o Núcleo Às de Paus) como dramaturgo da Cia Boi Voador, o espetáculo é resultado de pesquisas sobre as manifestações e folguedos do Boi, sobre a mitologia de origem africana e suas máscaras ritualísticas. A trilha sonora, fortemente marcada por instrumentos de percussão tradicionais e alternativos, é executada ao vivo. O espetáculo é fruto do ativismo da
Vila Cultural Flapt!, no conjunto Aquiles Stehnguel.
A apresentação do grupo maringaense Erastos BND, por sua vez, tem como ponto de partida um poema atribuído a Castro Alves e psicografado por Chico Xavier. "Entre dois muros, Marchemos" reproduz, por meio da dança, a intensa batalha entre o homem e os obstáculos internos que o afastam da plena realização. Dividida em seis partes, a apresentação utiliza elementos vigorosos para retratar contextos conflituosos, como a trilha sonora de Astor Piazzolla e o cenário em vermelho vibrante. A coreografia de Nara Dutra estrou em 2014, em Maringá.
Os dois espetáculos refletem a filosofia de Festival de Dança de Londrina, no sentido de incentivar, valorizar e dar visibilidade aos artistas locais. "A região tem vários grupos talentosos que ainda não têm conhecimento e experiência para estruturar um espetáculo de dança completo. Então quando eles assistem a produções daqui que já deram esse passo é um estímulo para que os novos também avancem", acredita a coordenadora geral do evento, Danieli Pereira.
Além do incentivo à produção, o intercâmbio entre grandes companhias nacionais e paranaenses permite que os grupos locais não só ampliem seu referencial artístico como também tenham um feedback de seu trabalho. Sem contar o contato direto entre os artistas londrinenses da dança e o público - que nem sempre tem a chance de acompanhar de perto os talentos da terra. (Reportagem Local)





