Dois nomes paranaenses estão entre os nove vencedores do 13º Prêmio Shell de Teatro – relativos à temporada de 2000 no Rio de Janeiro –, anunciados anteontem à noite, no Copacabana Palace. O carioca Felipe Hirsch levou o prêmio de melhor diretor pelo espetáculo curitibano ‘‘A Vida é Cheia de Som e Fúria’’ e o Armazém Companhia de Teatro, grupo londrinense radicado há três anos no Rio – ficou com o prêmio na Categoria Especial.
Quatro concorrentes disputaram o título em cada categoria. O prêmio de autor ficou para Domingos Oliveira e Priscilla Rozenbaum pelo espetáculo ‘‘Separações’’. Beth Goulart foi escolhida a melhor atriz por ‘‘Decadência’’ e Edwin Luisi foi o melhor ator por ‘‘Tango, Bolero e Cha-Cha-Cha’’. Na categoria figurinos, Kika Lopes faturou o prêmio por seu trabalho em ‘‘A Controvérsia’’. Ronaldo Teixeira levou o Shell pela cenografia de ‘‘Pequeno Dicionário Amoroso’’. A música de Caique Botkay em ‘‘Ai, Ai, Brasil’’ também foi a escolhida da noite, assim como a iluminação de Ney Bonfanti em ‘‘A Máquina’’. Cada vencedor recebeu R$ 8 mil.
O Armazém foi escolhido na Categoria Especial pela iniciativa de manter um teatro de repertório de qualidade. O grupo remontou e apresentou os seguintes espetáculos no Rio de Janeiro: ‘‘A Ratoeira é o Gato’’, ‘‘Sob o Sol em Meu Leito Após a Água’’ e ‘‘Esperando Godot’’. O diretor Paulo de Moraes diz que a companhia não esperava a indicação nem o prêmio. ‘‘Foi bacana porque isso aconteceu num ano em que não estreamos nenhum espetáculo e resolvemos mostrar nosso trabalho’’, comenta. Para Moraes, o prêmio na Categoria Especial, além de uma boa surpresa, foi um sinal de reconhecimento do trabalho da companhia.
Paulo de Moraes já foi indicado três vezes para o Shell de melhor diretor: por ‘‘A Ratoeira é o Gato’’, em 1994; ‘‘Sob o Sol em Meu Leito Após a Água’’, em 1997, e ‘‘Alice Através do Espelho’’, em 1999. O Armazém estreou há duas semanas seu novo espetáculo, ‘‘Da Arte de Subir em Telhados’’, com o qual deve permanecer em cartaz no Rio de Janeiro por cinco meses. ‘‘Alice...’’ também está em temporada em São Paulo desde a primeira semana se janeiro, no Teatro da USP.
A companhia foi indicada para a 13ª edição do Shell junto com Cláudio Botelho (pelo roteiro, direção musical e versões de ‘‘Cole Porter – Ele Nunca Disse que me Amava’’), Domingos Oliveira (pelo conjunto de realizações à frente do Teatro do Planetário da Gávea) e Tânia Nardini (pela preparação corporal e direção de movimento do espetáculo ‘‘A Máquina’’).
Felipe Hirsch disputou o prêmio de direção com Domingos Oliveira (‘‘Separações’’), Moacir Chaves (‘‘Bugiaria’’) e João Falcão (‘‘A Máquina’’). Além deste prêmio, o espetáculo ‘‘A Vida É Cheia de Som e Fúria’’ teve ainda outras três indicações: Guilherme Weber (ator), Beto Bruel (iluminação) e Felipe Hirsch (música).
O diretor vê as indicações e o prêmio como um momento muito especial, já que no Rio de Janeiro o seu grupo – a Sutil Companhia de Teatro – tem feito as melhores temporadas dos últimos anos. ‘‘Quanto ao prêmio, acho que os indicados deste ano têm mais ou menos uma característica semelhante. São produções realizadas com pouco dinheiro e sem uma mídia forte. No entanto, todos têm uma qualidade altíssima. Isso para a companhia Sutil foi muito especial’’, observa.
O fato de paranaenses estarem entre os premiados, na opinião de Hirsch, tem um significado forte. ‘‘É um momento feliz, muito legal. Tem também o Paulo (de Moraes), de Londrina... É muita gente legal fazendo história no Rio e em São Paulo’’. ‘‘A Vida é Cheia...’’ foi o espetáculo que mais recebeu indicações, ao lado de ‘‘A Máquina’’.
A montagem estreou no ano passado no Festival de Teatro de Curitiba, cumpriu temporadas em São Paulo e Rio de Janeiro no ano passado e participou de festivais como os de Recife, Belo Horizonte e Porto Alegre. Agora, Felipe Hirsch está em cartaz no Teatro das Artes, no Rio de Janeiro, com ‘‘A Memória da Água’’. ‘‘A platéia está lotando. Ficaremos pelo menos mais três meses em cartaz’’, comemora. Em junho, ‘‘A Vida é Cheia...’’ volta a ser apresentada em São Paulo, no Sesc Paulista, durante seis semanas. Outro projeto de Hirsch para este ano é a remontagem do espetáculo ‘‘Juventude’’, de 1998. A estréia será em agosto, em São Paulo.
A cerimônia do Prêmio Shell foi apresentada pelos atores Christiane Torloni e Luiz Carlos Tourinho. A homenageada da noite foi a dramaturga e diretora Maria Clara Machado, pela escola de teatro Tablado, que completou 50 anos. Como ela não compareceu ao evento, ex-alunos do Tablado foram convidados para representá-la. A 13ª edição do Shell introduziu esta categoria para homenagear profissionais que contribuíram para o teatro brasileiro.
O anúncio dos melhores do Prêmio Shell em São Paulo aconteceu ontem à noite, no restaurante Luciano Boseggia. Vale lembrar que outro paranaense foi indicado para o prêmio. O ator, diretor e dramaturgo londrinense Mário Bortolotto concorreu na categoria ‘‘Autor’’ pela montagem ‘‘Nossa Vida Não Vale Um Chevrolet’’. A Folha publicará na edição de amanhã a lista dos vencedores do Shell paulistano.

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