Paranaenses em palcos cariocas
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sábado, 30 de agosto de 1997
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
Arquivo FolhaAldice Lopes: Vamos nos impregnar de terra, dessa gente da lavoura.Dia 14 de outubro estréia no Teatro Glória, do Rio de Janeiro, a peça Morte e Vida Severina. Depois da histórica montagem em meados dos anos 60, com estudantes paulistas, que tiraram o fôlego da platéia francesa num festival internacional, a peça volta sob a direção do festejado Gabriel Villela. No elenco estarão dois paranaenses: Ranieri Gonzales e Aldice Lopes.
Ranieri Gonzales foi duas vezes escolhido pelo diretor. Primeiro, para compor a turma de A Aurora da Minha Vida, o grande sucesso deste ano do Teatro de Comédia do Paraná. Aldice, que estava no Rio de Janeiro com a montagem de Histórias de Cronópios e de Famas, conheceu Villela mais tarde, na noite da entrega do Troféu Gralha Azul.
Eu o admirava por Concílios do Amor, Você é o que Você Vai Ver e Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu, peças que assisti fora de Curitiba, contou Aldice. Semanas depois, o ator participava de um workshop com Villela no Rio. Foram quase 15 dias de intenso trabalho. De volta a Curitiba, Aldice foi comunicado de que Gabriel Villela o convidava para atuar em Morte e Vida Severina.
Vai ser muito legal, adiantou o ator, que no momento realiza uma espécie de laboratório com todo o elenco na fazenda do diretor, em Carmo do Rio Claro, no interior de Minas Gerais. Vamos nos impregnar de terra, dessa gente da lavoura.
Linhas barrocas A montagem deverá se transformar naquelas imagens próprias de Villela, feitas de linhas barrocas, com muito andor e procissão. Acredito que vá ficar um espetáculo belíssimo em função dessa concepção com que ele trabalha, comentou Aldice.
A temporada carioca está prevista para dois meses - de outubro a dezembro. Pode ser que a peça viaje pelo Brasil, mas esse é assunto do pessoal da administração. O ator prefere comentar o trabalho com o diretor: Ele traz uma nova escola, outro trabalho, outra forma de concepção.
Estar no Rio de Janeiro, cidade onde um sem-número de atores sobe ao palco como se estivesse expondo-se numa vitrine aos executivos da TV Globo, poderia atrair Aldice a esse caminho?
Ele responde: Não tenho deslumbramento de fazer televisão, meu deslumbre é o teatro. Se pintar algum convite, é claro que aceito, porque prestígio com a fama é ótimo, mas para mim a fama não está em primeiro lugar. Está o prestígio, o trabalho, a pesquisa, a entrega total.


