Paranaenses cancelam viagem para os EUA
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quarta-feira, 26 de setembro de 2001
Luciana Pombo<br> De Curitiba 
O setor turístico paranaense vive os piores momentos deste ano. Com a supervalorização do dólar e os problemas de energia elétrica no País, o turismo internacional já havia sofrido uma redução significativa. Desde o último dia 11 de setembro, quando terroristas atacaram pontos estratégicos dos Estados Unidos, 70% das viagens de negócios e lazer para a América do Norte foram canceladas. Os pacotes cancelados atingiram viagens que estavam programadas inclusive para o reveillon. ''O ataque gerou muito medo, pavor mesmo. O que as pessoas querem agora é aguardar'', diagnosticou o empresário Joel Duarte, vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Viagens (Abav-PR) e proprietário da SSA Viagens e Turismo.
O cancelamento das viagens atingiu diretamente os vôos para os Estados Unidos. Os dados da Abav revelam que 50% dos vôos foram cancelados. Demissões estão ocorrendo em companhias aéreas e hotéis americanos. ''Não adianta fazer neste momento previsões otimistas. Se não houver guerra, em 60 dias teremos uma normalização no setor. Mas tudo estará diretamente ligado a ação dos norte-americanos em relação aos ataques sofridos'', afirmou.
Uma família composta por oito pessoas e que faria uma viagem para a Costa Oeste dos Estados Unidos no dia 29 de setembro cancelou a programação logo após aos ataques. O grupo, de Carambeí e com ascendência holandesa, já havia pago o pacote no final de agosto. Com a insegurança da família, todo o dinheiro teve que ser devolvido.
A balconista Ediléia de Aquino Ramalho, de 23 anos, iria para Boston mas resolveu mudar de idéia. ''Eu não vou mais. A situação americana não é mais como antes. Existe muita insegurança. Prefiro ficar no Brasil'', disse. Primos de Edinéia já estão voltando para o Brasil por causa da insegurança nos Estados Unidos. O pai e a irmã - que ainda estão trabalhando por lá - prometem voltar em caso de guerra. ''Eles já têm emprego e não querem deixar tudo agora. Mas se a situação se agravar, eles também voltarão'', anunciou.
As viagens para a Europa também tiveram uma redução, mas entre 10% e 15%. A situação poderá piorar caso haja qualquer tipo de manifestação terrorista na Inglaterra, França ou Alemanha. ''Hoje a Europa está sob tensão, está apreensiva. Basta ocorrer qualquer tipo de problema para que a situação fique agravada e as viagens sejam canceladas também. Hoje o trauma é tão grande que as pessoas pensam 30 vezes antes de entrar num avião'', salientou Joel Duarte, da Abav.
O fator positivo de todo o episódio poderá ser o redirecionamento das viagens internacionais para o Brasil e a chegada de turistas estrangeiros em busca de novos horizontes. A Embratur diz que atualmente (por causa do dólar e dos ataques aos EUA) cerca de 45 milhões de brasileiros estão preferindo fazer viagens internas (principalmente para o nordeste, serras gaúchas, pantanal e Foz do Iguaçu). Há dois anos, este número não chegava a 15 milhões.


