A paixão pela leitura foi despertada em Oscar Nakasato ainda na infância pelos gibis dos personagens de Walt Disney. Os escritores clássicos foram descobertos por ele durante a adolescência e o impulsaram a mergulhar profissionalmente no mundo das letras como professor de literatura. Após 20 anos atuando na área acadêmica, o maringaense que lançou seu livro de estreia 'Nihonjin' em 2011 tem a obra consagrada ao ganhar o Prêmio Jabuti 2012 na categoria Romance. O resultado da premiação foi divulgado no final da tarde de quinta-feira.
Apesar do livro de Nakasato já ter sido premiado no ano passado na 1 edição do Prêmio Benvirá de Literatura, a vitória na 54 edição Prêmio Jabuti pegou o autor de surpresa. ''É claro que a gente tem esperança de ganhar a partir do momento em que fica entre os finalistas. Mas eu estava concorrendo com nomes consagrados da literatura e sabia que não teria muita chance. Por isso, quando me ligaram contando que eu havia sido premiado acabei ficando muito surpreso e comovido'', conta o escritor, que desbancou outros dois paranaenses na mesma categoria: Domingos Pellegrini, com ''Herança de Maria'', e Wilson Bueno, com ''Mano, a noite está velha''.
Nakasato conta que estava na fila do caixa de um supermercado de Apucarana, onde mora há cinco anos, quando recebeu o telefonema de uma funcionária da Editora Saraiva falando sobre a premiação. ''Comemorei com minha esposa que estava comigo e quando que cheguei em casa fui ler na internet as matérias que falavam sobre o prêmio. Logo em seguida comecei a receber ligações de jornalistas do Rio de Janeiro e de várias outras cidades que queriam me entrevistar'', relata.
Segundo Nakasato, a felicidade de ter conquistado o Prêmio Jabuti só não foi maior por conta da polêmica ocorrida na votação do júri da premiação. ''Conforme me informaram, a comissão julgadora é formada por três jurados que são mantidos em anonimato e que são chamados apenas de A, B e C. O jurado C deu nota zero para autores consagrados que concorriam na mesma categoria e por isso eu acabei ficando com a melhor pontuação'', conta Nakasato.
Em meio aos cumprimentos de alunos e professores que trabalham como ele no campus de Apucarana da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Nakasato revelou que acordou na manhã de ontem com uma sensação de constrangimento. ''Sei que todo mundo sempre vai questinar a atitude desse jurado, por isso minha felicidade em ter ganho o prêmio não é completa'', afirma.
Especulações na internet sustentam a hipótese de o tal jurado C ter dado nota zero para autores consagrados para privilegiar escritores estreantes. No entanto, a versão oficial somente será conhecida quando a identidade do julgador for anunciada. Isso deve acontecer na noite da entrega do Prêmio Jabuti, marcada para o dia 28 de novembro, ocasião em que o maringaense ainda concorre à categoria de melhor livro do ano de ficção, cujo prêmio será de R$ 30 mil.

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