Paranaense faz desfile conceitual para estrear na SP Fashion Week
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sábado, 01 de fevereiro de 2003
Karla Matida<br> Enviada a São Paulo 
A São Paulo Fashion Week termina hoje com a expectativa da presença do presidente Luis Inácio Lula da Silva no desfile de Walter Rodrigues. Mas com tantos desfiles acontecendo nas três salas montadas no prédio da Bienal, o burburinho continua sendo mesmo o que vai estar nas ruas no próximo inverno. Para os paranaenses, outra novidade movimentou o quarto dia de desfiles da SPFW. A quinta-feira fashion foi marcada pela estréia do estilista curitibano
Jefferson Kulig.
Com 12 anos na estrada da moda, ele disse - aparentemente calmo - minutos antes do desfile começar que estava muito seguro do que ia apresentar. Enquanto a maioria das grifes que desfilam na SPFW tem procurado mostrar na passarela coleções comerciais - como se já pudessem ser usadas pelo público naquele momento -, Kulig fez uma aposta audaciosa: um desfile conceitual.
''Não quero show, quero provocar um questionamento nas pessoas'', afirmou o estilista. Então, nada de música contagiante, modelos sensuais ou qualquer outro ingrediente da fórmula que se vê numa temporada de desfiles. As modelos caminhavam lentamente para mostrar a coleção com inspiração em elementos químicos: prata, ouro e níquel, cada um representado por peças em malhas metálicas.
O tecido em elastano, que aparece em boa parte da coleção, ganhou o nome de Mínimo na visão criativa do estilista. ''É o mínimo para deixar uma mulher linda'', explica. Nos elogiados acessórios em prata criados por Kulig e executados pela Bergerson, a idéia era mostrar as moléculas que se soltaram. Ao final do desfile, o curitibano parece ter conseguido o que queria: muita gente ainda pensando será que isso é ou não é legal. Para o Paraná, o bom é saber que sim, já temos um representante no seleto grupo de estilistas da SPFW.
Ainda na quinta-feira, o maior evento de moda da América Latina contou com o desfile de Fause Haten, que mostrou a sua coleção feminina - na sexta-feira foi a vez da coleção masculina. Ao invés de passarela, a sala tinha marcações no chão como se fosse uma quadra esportiva. As mulheres de Fause continuam esportivas, descem do salto para calçar Congas pra lá de bordados com os cristais Swarovski, mas não deixam de usar o refinado georgette nos vestidos longos.
Macacões de aviador, pompons de pelúcia cor-de-rosa no cabelo, plissados e um cheiro de anos 60 no ar deram o tom ao desfile de Jum Nakao. O croco aparece nos casacos, calças e botas, mas não tem textura, é só uma estampa. Todo mundo usa luva no inverno de Jum, que segue acertando nos plissados.
No dia com o maior número de estréias, outras três grifes também fizeram o seu primeiro desfile na SPFW. O mineiro Eduardo Suppes, que teve Elke Maravilha na primeira fila aplaudindo de pé, já tem nome entre algumas estrelas globais que adoram o jeito abusado e cheio de brilhos e decotes do estilista.
Além da grife que leva o seu nome, Alexandre Herchcovitch também assina o estilo da Cori. A terceira coleção com o traço do estilista foi a primeira a ser apresentada na fashion week paulistana. De quepe bordado de paetês, a mulher Cori desce a escada montada na passarela toda cheia de glamour.
A grife carioca Osklen do gaúcho Oskar Metsavaht, mostrou um inverno inspirado em algo muito distante do brasileiro: o snowboard, esporte praticado em montanhas com muita, muita neve. E foi branco como a neve que começou o desfile que teve ponchos quentinhos, gorros de lã e até a mochilão com tudo o que é preciso para enfrentar os dias frios: cachecol, luvas e até um mini-cobertor. Para contar os dias até o inverno (de verdade) chegar.
Alguém na platéia disse meio brincando, meio sério, que a Forum de Tufi Duek pode se transformar no cartão postal do Brasil. Depois de homenagear o Carnaval na edição passada, eis que o inverno vai ser todo Pantanal com arara aplicada no jeans e estampas de penas.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da
organização do evento.


