Enquanto as cidades européias e algumas capitais brasileiras investem em museus ultramodernos, Curitiba vê esfacelado o sonho de preservar a arte de seus mestres
Numa época em que cidades como Londres, Nova Iorque, Seattle, São Paulo e até Porto Alegre investem em arte, aumentando, reformulando e criando espaços dedicados às artes, Curitiba fica de fora e deixa de lado obras de um dos principais artistas que já passaram por aqui. O Museu Guido Viaro, fechado há cinco anos para uma reforma, não abrirá mais.
‘‘Nós estamos na contramão do mundo, no momento em que uma cidade como Bilbao, investiu todas as fichas num museu como o Guggenheim, o Paraná não está dando a devida importância aos artistas daqui. Foi fechado o Guido Viaro, o Theodoro de Bona. Acho isto lamentável’’, diz Constantino Viaro, filho de Viaro e curador das obras do artista.
Quando viu que o museu não iria mais reabrir e as obras de Guido estavam abandonadas, Constantino resolveu resgatá-las e levá-las para sua casa.‘‘ Eu tive que tirar os quadros de lá porque estavam até tomando chuva. É uma falta de respeito. É só no Brasil que a televisão exerce um fascínio e a tendência é descer o nível cultural das pessoas. E, além do mais, aqui em Curitiba gastam todo o dinheiro em pessoal. Gastam para manter uma estrutura poderosa que não faz nada’’.
No acervo, resgatado por Constantino, estão 180 quadros de Guido Viaro, 700 desenhos, 200 gravuras, além de obras de deuses da pintura brasileira como Di Cavalcanti e Volpi.
Como não encontrou apoio para continuar expondo as obras de Guido aqui, Constantino levou as obras do artista italiano, radicado no Brasil desde 1927, para a Internet. Recentemente, um grupo de marchands americanos e brasileiros que vivem em Nova Iorque o procuraram. Eles estão criando o site latincollection.com, onde vão divulgar trabalhos de latinos.
Serão exposições com 12 trabalhos e 600 palavras que vão contar a história de artistas que desenvolveram seus trabalhos em focos isolados dos grandes movimentos de arte do ínicio do século.
A Fundação Cultural de Curitiba foi responsável pelo Museu Guido Viaro durante os mais de 20 anos que ele funcionou. Atualmente, ninguém por lá quer falar sobre o assunto.
O artista Guido Viaro escreveu um artigo na Revista Forma de 1966. Falava da experiência de vir de uma pequena cidade da Itália e morar em Curitiba: ‘‘Na província nunca se tem idéia do que seja luta, movimento, necessidade de tudo, até de crença’’.
Infelizmente, o artista que era um grande organizador e veio para Curitiba em busca de progresso, ficaria triste, muito triste, ao ver o que os homens civilizados da terra que ele escolheu para viver, fizeram com a sua arte.

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