Curitiba – Um dos mais renomados artistas plásticos paranaenses e autor de mais de três mil obras, o curitibano Ruben Esmanhotto, de 60 anos, morreu no domingo à tarde, em Curitiba, vítima de um acidente de moto no centro da cidade. Ele chegou a ser encaminhado para o Hospital Evangélico, mas não resistiu aos ferimentos. Há menos de um mês, no dia 14 de dezembro de 2014, o pintor lançou o livro "O Momento Suspenso", comemorando 40 anos de carreira, na Galeria Solar do Barão, no Setor Histórico da capital, no bairro São Francisco.
Desde 1975, quando começou a pintar, Esmanhotto já apresentou seus quadros em 24 exposições coletivas, inclusive internacionais. Na década de 1980 representou o Brasil em exposições na França e no Japão, e das 20 exposições individuais, realizou sua última no Memorial de Curitiba, em 1988. Algumas de suas obras estão expostas no Palácio 29 de Março, sede da Prefeitura Municipal.
Segundo Lenora Pedroso, diretora do Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC-PR), cinco obras de Ruben fazem parte do acervo do local. "Ele conseguiu imprimir uma linguagem muito própria nas suas pinturas, hiper-realista. Suas obras mais marcantes eram fachadas de casas antigas, uma espécie de registro da memória de Curitiba, mas também fez grandes trabalhos de natureza-morta e ambientes marinhos", conta.
Lenora ainda ressalta que curadores de outros Estados e que participaram de projetos no MAC-PR reconheciam o talento do curitibano, tanto que escolheram obras dele por duas exposições seguidas. "Ficamos surpresos, mas acabou acontecendo porque a qualidade de suas pinturas era notável. Ele era autodidata e seus trabalhos tiveram muita visibilidade. Ficamos muito tristes com o que ocorreu pois ele é um artista que teve uma trajetória importante, mas que ainda teria muito tempo para continuar", completa.
Para Regina Casillo, diretora da Galeria Solar do Barão, a perda do artista aconteceu num momento em que ele se encontrava no auge da profissão. "Ele vai ficar na história da arte paranaense, sem dúvida um dos maiores talentos do Paraná. Era também muito detalhista e perfeccionista ao máximo, por isso seu livro lançado no ano passado demorou tanto para ser publicado."
Em nota de pesar, a Fundação Cultural de Curitiba (FCC) ressaltou que Esmanhotto "levou o nome de Curitiba para os mais importantes salões de arte e galerias de arte do Brasil". A entidade ainda lembrou que o artista plástico estava, inclusive, negociando com a Fundação para abrir uma exposição ainda este ano, no Solar do Barão, de fotografias e de seus painéis que estão na Prefeitura, e que seriam restaurados por ele. "Em nome da Fundação, lamento profundamente a perda do Ruben e junto o meu pesar à família, amigos e demais admiradores. O amigo se vai, mas sua obra permanecerá encantando a todos que apreciam a arte", ressaltou Marcos Cordiolli, presidente da FCC.
O corpo do pintor foi velado e sepultado no Cemitério Municipal São Francisco de Paula, no bairro São Francisco. Ele era casado com Elisabete Palhano e teve dois filhos. Diversos familiares e amigos compareceram ao sepultamento. A Delegacia de Trânsito de Curitiba (Dedetran) está investigando as circunstâncias do acidente.

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