Vocação turística do Estado segue linha ecológica e naturalista. Passeios podem ser aproveitados em excursões de um dia a partir da capital
Arquivo FolhaNATUREZA Estância do Lago: ar puro e muito verde para combater o stress e entrar em boa formaReproduçãoLapinha: clínica naturista



Miranda Auster
De Curitiba
Especial para a Folha

Um cinturão de saúde ao redor de Curitiba e turismo ecológico no interior do Estado traduzem a vocação turística do Paraná, recentemente descoberta, que envereda por uma linha alternativa e naturalista. Foz do Iguaçu, com as Cataratas, é de longe a grande atração natural, mas o Estado está investindo na criação de novas opções. Muitas delas podem ser aproveitadas numa excursão de um dia a partir da capital.
Na Região Metropolitana, o município de Colombo resgata a tradição italiana e oferece vinho e comidas típicas. Mas descobriu os velhos caminhos das propriedades rurais para criar passeios recheados de velhas igrejas, grutas com milenares formações de calcário e, agora, produtos de hortas cultivadas sem adubo químico.
Almirante Tamandaré oferece um produto mais acabado na linha alternativa: o Hospital Naturista Oásis Paranaense, com tratamentos à base de recursos, é claro, naturais. São banhos de ervas medicinais, hidroterapia e enfaixe com lama, sauna seca e úmida. Na mesma linha, mas para os mais sofisticados, existe a Estância do Lago, um spa dedicado ao combate à gordura e ao stress.
Outro local para descanso, com muito ar puro e vegetação, fica também em Colombo. É a Estância Betânia, com programas de terapia ocupacional, fisioterapia, musicoterapia, aconselhamento espiritual e sala para convenções.
Na cidade histórica da Lapa está um dos spas mais famosos do país, que atrai inúmeras personalidades – o Lar Lapeano de Saúde, mais conhecido como Lapinha. Especializado em medicina biológica, dietética, emagrecimento, desintoxicação e fisioterapia, também utiliza apenas alimentos sem produtos químicos.
Quem optar pela Lapa pode ainda conhecer um pouco da história paranaense. A cidade foi construída às margens do antigo caminho dos tropeiros Viamão-Sorocaba, desde São Paulo até o Rio Grande do Sul. Na Fazenda Roseira, por exemplo, é possível percorrer uma parte do caminho. A Lapa também desempenhou papel importante na Revolução Federalista de 1894. No famoso Cerco da Lapa, a cidade resistiu ao avanço dos rebeldes sulistas, e hoje uma série de monumentos pode ser visitada.
O cinturão principal se completa no município de Campo do Tenente, que abriga o Mosteiro Trapista, o único mosteiro brasileiro da Ordem Cisterciense Trapista, que teve origem na França do século 11. O local dispõe de uma hospedaria aberta a visitantes em busca de paz e retiro espiritual. Mas o prazer da gula não foi abolido pelos monges, que produzem um bom mel, bolachas de vários tipos e o conhecido ‘‘bolo de frutas dos monges’’, cuja receita passa de mestres a discípulos e jamais divulgada ao público.
O turismo rural tem boas opções espalhadas por todo o Estado. Em Campo Largo, por exemplo, a Chácara Vivência Experimental Tempo Verde recebe escolas e turistas para acantonamento e colônia de férias, com atividades de educação ambiental, que incluem cultivo de horta, pomar e piscicultura.
Na mesma Lapa histórica está a Fazenda Roseira, com passeios a cavalo e observação de animais silvestres, enquanto no município de Ponta Grossa o turista pode se hospedar na Pousada Juderi e na Fazenda Capão Grande. As duas oferecem caminhadas ecológicas, cavalgadas, atividades rurais e, na primeira, é possível descer um rio de bóia.

Arnaldo Alves/Arquivo FolhaDescendo a Serra do MarMorretes: Rio Nhundiaquara é muito usado para canoagem e bóia crossComida típica, litoral e história compõem os atrativos de Paranaguá, Antonina e Morretes, lugares que podem ser alcançados através de uma bela descida da Serra do Mar feita de trem ou litorina, um vagão panorâmico. Paranaguá, onde hoje está um dos maiores portos do Brasil, foi a porta de entrada da colonização do Paraná. A história do município começa já em 1550. O velho casario conserva as características portuguesas e a população mantém até hoje a tradição do fandango, a música típica do litoral paranaense.
Antonina também conserva as construções antigas e ruelas estreitas, com alguns locais ótimos para banho e lazer. Já Morretes, fundada em 1721, é cortada pelo Rio Nhundiaquara, muito usado para canoagem e bóia cross. Do alto da Ponte Velha, no centro da cidade, os garotos dão um espetáculo à parte, mergulhando no rio até mesmo à noite.
Mas o melhor da cidade está na área da gastronomia – o município é famoso pela produção de cachaça e pelo barreado, uma carne cozida em panela de barro, vedada com folhas de bananeira, servida com farinha e banana da terra. É uma iguaria para glutão nenhum botar defeito.

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