Paralisia cerebral não impede a arte
A escritora paranaense Adriana Gumz, de 24 anos, lança hoje, às 14h, na Escola CIESC-Imaculada, em Santa Felicidade, seu 15º livro infantil O Reencontro de uma Família, em edição colorida, e o primeiro CD-rom O Menino que virou Tamanduá. Serão distribuidos 10 mil exemplares para todo o país pela editora Educarte.
Adriana escreve e edita sua obra infantil com muita dificuldade. Ela nasceu com paralisia cerebral, que a impede de realizar movimentos voluntários da língua, dos braços e pernas. Com auxílio de um computador, adaptado às suas necessidades, a jovem escreve uma média de três frases em quatro horas. Em dias que está mais inspirada chega a formar até cinco.
Os primeiros sete livros foram escritos com auxílio de cubos gravados com os números e o alfabeto. A mãe ou o avô iam mostrando as letras e Adriana fazia sinais com a cabeça. Esses livros levaram aproximadamente seis meses para serem concluídos. Apesar de amar a arte de escrever, Adriana era refém de ajuda. Um dia, o avô Raimundo Gumz resolveu brincar de Professor Pardal e inventou um teclado enorme para adaptar num computador.
Três anos depois, Raimundo terminou o engenho e ligou em um computador para a neta começar a trabalhar. O que era para ser um dia de festa acabou sendo de frustração, em cinco minutos descobriu-se que o teclado era impróprio para o uso de Adriana. O avô se trancou novamente com sua máquina de idéias e saiu com um novo teclado, desta vez baseado em números.
Mas os problemas começaram porque o avô não entendia nada de programação de computadores. Um garoto de apenas oito anos de idade foi a salvação. Ele fez o programa que possibilitou o trabalho da escritora. Usando a combinação de números Adriana formava as palavras. Por exemplo: acionando o número 3 e o 8, forma-se a letra A, acionando, o 3 e o 9, a letra B, e assim por diante.
Há dois anos, o obstinado Raimundo facilitou mais a vida da neta. O sistema de teclas era difícil e demorado. O avô inventou uma almofada de 10x15 cm, ligada ao computador. As letras, números e comandos ficam na tela do monitor em 6 carreiras e o cursor vai passando automaticamente para cada fileira. Quando chega a letra desejada, Adriana ativa a vogal ou a consoante encostando a cabeça. Através desse processo ela vai construindo suas sentenças.
O desejo de escrever começou naturalmente há 12 anos, quando escreveu O Rei e sua Cidade. Mas esse livro demorou exatos 12 anos para chegar as prateleiras. Já o primeiro livro só foi lançado há dois anos, com o apoio dos familiares. A edição de Bambino e sua Turma saiu com 50 exemplares xerocados e capa colorida. Somente a partir do terceiro lançamento, O Reencontro de uma Família, os livros passaram a ser impressas em off-set.
Com a parte sensitiva aguçada, Adriana busca nos assuntos diários da vida sua inspiração para construir a sua obra. A mensagem da escritora busca passar fatos positivos ao leitor, usando uma linguagem direta, simples e envolvente, sempre mostrando os conflitos entre o bem e o mal. No ano passado, a escritora recebeu um prêmio nacional por Bambino e sua Turma.
O Reencontro de uma Família tem seu lançamento devido a iniciativa do CIESC-Imaculada, situada na Av. Manoel Ribas, 6318, em Santa Felecidade, que todos os anos realiza uma feira anual de livros. A diretora, Irmã Mariliz Teresa Gai, ressalta a importância da participação da escrita na Feira. É o meio de fazer os estudantes descobrirem o prazer da leitura e para incentivar os adolescentes a escreverem, afirma.





