Paralamas lançam Pólvora
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quarta-feira, 03 de setembro de 1997
Luiz Antônio Ryff Agência Folha 
ReproduçãoParalamas do Sucesso: banda vendeu 1,5 milhão de cópias no ano passadoComemorando o segundo fôlego da banda, na expressão do baterista João Barone, os Paralamas do Sucesso resolveram batê lata lançando Pólvora, uma caixa de metal com seus oito álbuns iniciais remasterizados.
A gravadora EMI já desovou a fornada de 5.000 cópias nas lojas. Quem quiser um exemplar tem que se apressar, pois o estoque não será reposto. Mas os oito CDs - Cinema Mudo (1983), O Passo do Lui (1984), Selvagem? (1986), D (1987), Bora-Bora (1988), Big Bang (1989), Os Grãos (1991), Severino (1994) - serão postos à venda individualmente no próximo mês.
A caixa serve para Barone, o guitarrista Herbert Vianna e o baixista Bi Ribeiro comemorarem o sucesso dos dois últimos discos -Vamo Batê Lata (1995) e Nove Luas (1996) -, que já venderam 1,5 milhão de cópias
juntos. Os dois discos são responsáveis pelo tal segundo fôlego da banda. É uma retomada com um público novo, disse o baterista Barone. Afinal, o antecessor, Severino, foi o álbum que menos vendeu: 53 mil cópias.
A gente costurou um frankenstein danado, disse Barone referindo-se às participações especiais que iam de Egberto Gismonti e Tom Zé ao guitarrista Brian May (Queen) e ao cantor argentino Fito Paez, passando pelo DJ jamaicano Linton Kwesi Johnson e pela Reggae Philarmonic Orchestra. Tudo com a produção de Phil Manzanera (Roxy Music). Não nos entendemos bem com o engenheiro de som (o inglês Kevin Lamb) e estávamos muito inseguros, disse Barone.
No fim das contas, Severino vendeu mais na Argentina do que no Brasil. Curiosamente, o CD duplo Vamo Batê Lata, que registra a turnê de Severino, vendeu 840 mil discos.
Ao contrário do que foi imaginado inicialmente, Pólvora não traz material inédito - como as demos ou o material em espanhol. Seria um processo de catar milho, explicou Barone. Pólvora só tem discos que estavam fora de catálogo ou que não haviam sido lançados em CD - como o D. Desses, os preferidos de Barone são O Passo do Lui e Selvagem. Um traz o lado mais pop da banda, o outro exibe uma face mais experimental - a guinada para influências rítmicas mais brasileiras e o reggae. Todos os outros são derivativos desses dois, disse Barone, que crê que o movimento pendular entre esses pólos é a marca do grupo. Para quem acha que a recente guinada para o pop é definitiva, Barone indica uma nova mudança de direção. A gente pensa em fazer alguma coisa mais esquisita no próximo disco. Com isso, a chance do grupo aceitar os convites da MTV Brasil e da MTV Latina para fazer um acústico (em português ou espanhol) por ora é pequena.


