ReproduçãoParalamas do Sucesso: banda vendeu 1,5 milhão de cópias no ano passadoComemorando o ‘‘segundo fôlego’’ da banda, na expressão do baterista João Barone, os Paralamas do Sucesso resolveram ‘‘batê lata’’ lançando ‘‘Pólvora’’, uma caixa de metal com seus oito álbuns iniciais remasterizados.
A gravadora EMI já desovou a fornada de 5.000 cópias nas lojas. Quem quiser um exemplar tem que se apressar, pois o estoque não será reposto. Mas os oito CDs - ‘‘Cinema Mudo’’ (1983), ‘‘O Passo do Lui’’ (1984), ‘‘Selvagem?’’ (1986), ‘‘D’’ (1987), ‘‘Bora-Bora’’ (1988), ‘‘Big Bang’’ (1989), ‘‘Os Grãos’’ (1991), ‘‘Severino’’ (1994) - serão postos à venda individualmente no próximo mês.
A caixa serve para Barone, o guitarrista Herbert Vianna e o baixista Bi Ribeiro comemorarem o sucesso dos dois últimos discos -‘‘Vamo Batê Lata’’ (1995) e ‘‘Nove Luas’’ (1996) -, que já venderam 1,5 milhão de cópias
juntos. Os dois discos são responsáveis pelo tal ‘‘segundo fôlego’’ da banda. ‘‘É uma retomada com um público novo’’, disse o baterista Barone. Afinal, o antecessor, ‘‘Severino’’, foi o álbum que menos vendeu: 53 mil cópias.
‘‘A gente costurou um frankenstein danado’’, disse Barone referindo-se às participações especiais que iam de Egberto Gismonti e Tom Zé ao guitarrista Brian May (Queen) e ao cantor argentino Fito Paez, passando pelo DJ jamaicano Linton Kwesi Johnson e pela Reggae Philarmonic Orchestra. Tudo com a produção de Phil Manzanera (Roxy Music). ‘‘Não nos entendemos bem com o engenheiro de som (o inglês Kevin Lamb) e estávamos muito inseguros’’, disse Barone.
No fim das contas, ‘‘Severino’’ vendeu mais na Argentina do que no Brasil. Curiosamente, o CD duplo ‘‘Vamo Batê Lata’’, que registra a turnê de ‘‘Severino’’, vendeu 840 mil discos.
Ao contrário do que foi imaginado inicialmente, ‘‘Pólvora’’ não traz material inédito - como as demos ou o material em espanhol. ‘‘Seria um processo de catar milho’’, explicou Barone. ‘‘Pólvora’’ só tem discos que estavam fora de catálogo ou que não haviam sido lançados em CD - como o ‘‘D’’. Desses, os preferidos de Barone são ‘‘O Passo do Lui’’ e ‘‘Selvagem’’. Um traz o lado mais pop da banda, o outro exibe uma face mais experimental - a guinada para influências rítmicas mais brasileiras e o reggae. ‘‘Todos os outros são derivativos desses dois’’, disse Barone, que crê que o movimento pendular entre esses pólos é a marca do grupo. Para quem acha que a recente guinada para o pop é definitiva, Barone indica uma nova mudança de direção. ‘‘A gente pensa em fazer alguma coisa mais esquisita no próximo disco.’’ Com isso, a chance do grupo aceitar os convites da MTV Brasil e da MTV Latina para fazer um acústico (em português ou espanhol) por ora é pequena.

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