Paraíso tropical no sul da Bahia
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de fevereiro de 1998
Carmen Kley 
fotos: Carmen KleyImenso arealA ilha tem 20 quilômetros de praias praticamente desertas. Vinte e cinco mil coqueiros se espalham por um milhão de metros quadradosA ilha que encantou Jorge Amado e Zélia Gatai e que tirou Harrison Ford do sério continua linda. Comandatuba, no sul da Bahia, é um daqueles lugares que enchem os olhos e inundam o coração de tanta beleza. Um paraíso feito de sol, mar e vegetação tropical. São um milhão de metros quadrados por onde se espalham 25 mil coqueiros, ao longo de 20 quilômetros de praias praticamente desertas. Caminhar pelas areias finas de Comandatuba, entre o mar e o coqueiral, tendo à frente o infinito, faz qualquer um sentir o espírito renovado.
Em meio à paisagem exuberante ergue-se um dos maiores resorts da América Latina. O Transamérica Ilha de Comandatuba, projetado por Ricardo Julião, é um grande exemplo de sintonia entre arquitetura e natureza. Do paisagismo, assinado por ninguém menos que Edward Stone e Phillip Bogdal (responsáveis pelos jardins da Casa Branca e do Epcot Center), à decoração de interiores, recém-reformulada pelo mago Sig Bergamin, tudo ali - além de ter a indiscutível marca do bom gosto - se harmoniza com o cenário natural. Como se o hotel integrasse a paisagem e vice-versa.
Mais que isso, o cinco estrelas não interfere na vida dos 83 habitantes fixos da ilha (há outros 116 flutuantes que ali mantêm casas de veraneio). Nem sugere o de contraste entre o luxo e a pobreza. Não, porque em Comandatuba não existe pobreza, existe simplicidade. Quem passeia pelo interior da ilha constata que o olhar tímido da menina que espia pela janela de um casebre de madeira guarda a mesma luz dos olhos do turista que desfruta dias de lazer no hotel. A impressão que se tem é a de que em Comandatuba todo mundo - turistas, moradores, funcionários do hotel - é feliz. Imensamente feliz. Como se estivesse na ilha da fantasia.
Dona Gringa, a ilhéu mais antiga, e sua cachaça curtida
À sombra dos coqueirais O que fazer em Comandatuba? Deitar-se numa das redes estendidas no coqueiral e apreciar a paisagem já é um programa e tanto. Mas para quem quer um pouco mais que sombra e água (de coco) fresca, as opções de lazer são inúmeras e destinadas a todas as faixas etárias. Vão de atividades de recreação à beira da piscina ou à beira mar a pescaria, passeios de jet ski, escuna, lancha ou jeep. Acompanhado por um biólogo e por um nativo que conhece o local como a palma da mão, o passeio de jeep pelo interior da ilha tem como atrações a beleza efêmera da restinga, com suas flores exóticas, como a orquídea vanilla, ou os frutos silvestres, como o do mandacaru e do caxandó.
Pelo caminho, algumas curiosidades que acabam se transformando em paradas obrigatórias e que, de certa forma, escrevem a história da ilha e seus personagens. A casa - ou o que sobrou da casa - onde a cantora Neusinha Brizola se isolou do planeta, entre 1983 e 1984 é uma dessas paradas.
Em outra casa de madeira uma placa indica: Casa Palácio Alvorada. Ali é o lar (e o bar) de Dona Gringa, 73 anos de idade e a mais antiga moradora da ilha, onde vive desde os 20. Junto com o genro Carlos, o Bada, e a filha Maria José, que nasceu em Comandatuba, há 35 anos, a simpática filha de alemães recebe os turistas com o que de melhor aprendeu a fazer no Brasil: cachaça. Curtida de várias maneiras, a bebida é servida bem fraquinha (coquinho) ou para derrubar (levanta defunto). Com canela ou semente de guaraná, a gosto do freguês. O que conta, enfim, é o dedo de prosa com uma família que, se não desfruta do conforto da vida na cidade, também não se expõe às mazelas do mundo moderno.
Hóspedes se deliciam na piscina do resort: lazer para todas as faixas etárias
Lama negra A excursão de jeep leva ainda a uma recente descoberta: ali, na ilha, existe lama negra que - dizem - faz maravilhas à pele e ao cabelo. O ator Harrison Ford experimentou e aprovou. Na dúvida, não custa nada lambuzar-se e testar. O que vale mesmo é a brincadeira e, se a lama não fizer milagres pela sua pele, o passeio já terá feito.
Passear de escuna até a ponta norte a ilha, ou de lancha, até a ponta sul, ou ainda visitar uma fazenda nas proximidades também pode ser um bom programa. A fazenda pertence a Dona Vida Vidal, uma ioguslava especialista em radiestesia (pêndulos) e que ali cria camarões.
E para quem gosta de pescar, Comandatuba é um prato cheio. Ali se pratica pesca oceânica e de canal. No escritório do departamento náutico do hotel, a foto de um enorme marlin azul de 301 quilos exibe o recorde local (o mundial é de 630 kg e foi pescado no Espírito Santo) e o feliz pescador.
Uma programação intensa entretém a criançada (e dá descanso aos pais). Monitores acompanham a garotada de quatro a 12 anos, que participa de brincadeiras, jogos e outras atividades, em período integral. As crianças têm espaço próprio, com restaurante, salas de jogos e até piscinas exclusivas para elas.
Fernanda Jacob Melo Lima, uma mineirinha de sete anos que passou 34 dias das férias de verão na ilha, e que pela oitava vez voltava ao lugar, aprovou o esquema: As tias são superlegais. A gente brinca o dia inteiro! - comenta, já fazendo planos para a próxima temporada.


