Paraíso e história em Santo Agostinho
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de julho de 2003
Carol Teresa Mazetto<br> Agência Estado 
Santo Agostinho - A ''vida severina'' das margens do Rio Capibaribe, no Recife, capital pernambucana, se estende durante todo o trajeto que leva ao paraíso nordestino chamado Cabo de Santo Agostinho, onde uma outra versão da história do Brasil é firmemente celebrada.
À beira da estrada a BR-101, em direção ao sul por apenas 37 quilômetros, e depois a PE-60 , populações sobrevivendo da agricultura, em casas simples, e restos de velhos engenhos se intercalam às grandes áreas de indústrias como as de cerâmica, cimento e petróleo. São homens e mulheres de rostos marcados pelo sol, que carregam seus facões pelas ainda extensas plantações de cana do agreste.
Planícies litorâneas cobertas de mata se misturam ao sertão das caatingas. Um dos trechos mais agradáveis é a passagem pela Mata do Zumbi. Adiante, nas humildes vilas de pescadores Nazaré e Suape, vêem-se meninos vendendo caju fresco e o famoso licor de jenipapo, típico dali. Nelas, os fins de tarde são marcados pelo conserto das redes na pescaria. Uma foto na parede de um dos casebres de Nazaré serve de atestado do tamanho do peixe, desmentindo as conhecidas ''conversas de pescador''. Acabam por compor o cenário os jogos de futebol e vôlei na praia, além de alguns transeuntes na praça local, conhecida como Pinzón.
O nome, assim como o da única escola da vila, homenageia o espanhol Vicente YaÀes Pinzón. O navegador saiu de Palos de La Frontera e teria chegado à região de Cabo de Santo Agostinho, chamada à princípio de Santa Maria de La Consolación, em 26 de janeiro de 1500. Pois é, antes de Pedro Álvares Cabral. Problema histórico, sem dúvida, pois a data é três meses anterior à versão da chegada em Porto Seguro, na Bahia. Os habitantes locais levam a questão tão a sério que há festividades, com a réplica da caravela espanhola, para comemorar a data, quando é feriado municipal por lá.
O destino final, o tranquilo Cabo de Santo Agostinho, é avistado do alto do morro da vila de Suape: uma ponta de terra rodeada por um mar de águas claras, sem ondas, com arrecifes, areia branca, imensos coqueirais e céu azul a perder de vista.


