Paraíso de mochileiros
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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Nelson Sato Reportagem Local 
Quase todos os festivais de música do País padecem de organização precária, o que fica evidenciado após o término de muitos deles, quando são gongados pelo público nas redes sociais. O festival Psicodália virou uma exceção. Há sempre elogios ao evento, cuja 17ª edição ocorre em pleno feriadão de Carnaval - de 28 de fevereiro a 5 de março numa fazenda em Rio Negrinho (SC), a 130 km de Curitiba.
Entre os artistas escalados para este ano estão a banda europeia de rock progressivo Gong, Tom Zé, Yamandú Costa, Made in Brazil, Almir Sater, Di Melo, Wander Wildner, Módulo 1000, a banda australiana Jarrah Thompson Band e Moraes Moreira acompanhado de seu filho Davi Moraes com o show "Acabou Chorare" em homenagem aos 40 anos do antológico disco homônimo lançado pelos Novos Baianos.
Ao todo, serão mais de 40 atrações musicais nos três palcos, além de oito espetáculos de artes cênicas, mostras de cinema, exposições e oficinas diversas para os participantes desenvolverem habilidades artísticas e manuais. Muitos londrinenses já foram ao evento todo ano são organizadas excursões levando turmas de 30 a 40 pessoas em cada ônibus.
O psicólogo Conrado Machado vai pela quarta vez ao festival. "Nas duas primeiras edições fui de excursão. Dessa vez vou de carro com meus pais. Eles foram na última edição, gostaram e vão de novo", diz. Para ele, o Psicodália é um exemplo de organização e de opções culturais. "A maior atração é o ambiente e o público que frequenta", salienta. "É um ambiente extremamente confortável para qualquer tipo de pessoa e para qualquer idade. Por algum motivo, todas as pessoas são muito amigáveis e educadas umas com as outras, até entre desconhecidos. Essa é a principal diferença em relação a outros eventos do tipo".
Das atrações anunciadas, Machado pretende assistir especialmente aos shows da banda Gong e do músico Di Melo. "Mas eu iria ao Psicodália mesmo se não houvesse show algum. Aquele lugar é tão agradável que a volta para casa causa até uma certa depressão por alguns dias", assinala. A assistente social Paula Basílio tem a mesma avaliação. Ela vai para sua terceira Psicodália. "Uma vez que você fica encantada, quer voltar sempre", diz. "Os shows são o que fazem as pessoas irem logo de cara, mas o ambiente do festival é o que faz você querer voltar para lá. As pessoas vão com o coração aberto para tudo o que vai acontecer, todos são muito gentis. Está todo mundo buscando a mesma coisa: se divertir sem preocupações com o 'mundo real' e sem incomodar ninguém".
Ela conta que já foi de carro próprio nas edições anteriores, mas desta vez optou em descolar uma vaga numa excursão: "Achei muito cansativo para dirigir na volta. Além disso, tem as 'psicotralhas', a barraca e várias coisas de camping que ocupam bastante espaço". O estudante universitário Renato Baduy vai fazer o contrário. Foi no ano passado de excursão e agora decidiu ir de carro. Ele comprou os ingressos antes mesmo de saber quem subiria aos palcos.
"Algum tempo depois, eu soube da confirmação do Moraes Moreira e do Tom Zé, que recebi com surpresa e alegria. O Jarrah Thompson e o Yamandu Costa também podem ser colocados como shows especiais para assistir. Mas o festival vale por si só. As bandas e os artistas acabam sendo lucro", assinala.
A produtora de moda Rafaela Calvo vai pela primeira vez ao Psicodália. Está ansiosa para assistir aos shows de Tom Zé, Moraes Moreira e Traditional Jazz Band. "Estou animada porque já ouvi falar muito bem. Quero aproveitar para conhecer novos sons", diz.
Nascido na cidade de Angra dos Reis em 2001, com seu projeto piloto, o festival só passou a se chamar "Psicodália" em 2003 na cidade de Lapa (PR). Posteriormente foi realizado em Morretes e Antonina, no Paraná, e São Martinho, no sul de Santa Catarina. Instalou-se na fazenda Evaristo, em Rio Neguinho, em 2009.


