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Leonardo Ramos (na foto de cima): ‘‘Nós estamos divulgando não só o nome de Londrina mas também o Paranᒒ



A situação do Ballet de Câmara da Cidade de Londrina seria cômica se não fosse trágica. Embora fazendo sucesso nacional e internacionalmente, levando o nome da cidade por onde passa, o grupo está com os salários atrasados desde fevereiro. Os 13 bailarinos recebem cerca de R$ 480 brutos, cada um. O diretor Leonardo Ramos - que também acumula as funções de diretor administrativo, coreógrafo, cenógrafo, figurinista e produtor - recebe o maior salário, R$ 870. Os valores pagos ao corpo de baile da companhia representam a metade do menor salário pago a outras companhias de dança brasileiras.
O convênio firmado entre a Fundação Cultura Artística de Londrina (Funcart) e a Prefeitura Municipal de Londrina, garante o repasse para a infra-estrutura da Escola Municipal de Dança e o pagamento dos salários do pessoal do Ballet e seus encargos. ‘‘É fato sabido que a prefeitura se encontra em dificuldades para cumprir com as obrigações salariais de todo o funcionalismo e que os encargos representam 60% do valor dos salários. Só estamos comendo porque tenho adiantado os salários com o dinheiro que temos em caixa. Mas também temos dívidas para pagar e não podemos ficar nesta situação’’ - explica Ramos.
Bombril Para ele, a questão dos salários representa apenas uma parte do problema. Segundo Ramos, há também a questão do crescimento do grupo, que pode ser prejudicado por falta de pessoal na parte técnica e administrativa. ‘‘Há quatro anos venho desempenhando a função Bombril, com mil e uma atividades, e só tenho um funcionário de seis horas cedido pela Secretaria de Cultura e outra funcionária administrativa para cuidar da Escola Municipal de Dança e do Ballet, que trabalha 12 horas por dia, para me ajudar’’ - conta.
Leonardo Ramos diz que, por ter que dividir atenção entre inúmeros afazeres, seu trabalho principal é prejudicado. ‘‘E os convites para apresentações no Brasil e no Exterior continuam a chegar’’ - afirma.
Segundo a secretária municipal de Cultura, Ângela Farah Marçal, todos os convênios assinados pela prefeitura estão sendo encaminhados com atraso, mas serão pagos. ‘‘Já conversei com o setor financeiro da prefeitura e a prioridade tem sido os salários do funcionalismo, que também estão sendo pagos em atraso. A situação financeira do município é delicada, tanto que alguns convênios da área social tiveram que ser cancelados’’ - conta.
Segundo ela, o Ballet não está em situação calamitosa porque tem outras fontes de renda, via Lei de Incentivos, que podem ser remanejadas enquanto o dinheiro do município não sai, deixando só os encargos em atraso. ‘‘Isto é apenas temporário e assim que as coisas normalizarem, o repasse continuará a ser feito’’ - garantiu.
Vitrine Um patrocínio temporário da empresa Vega-Sopave, no valor de R$ 2 mil mensais, assinado esta semana, vai cobrir em caráter emergencial, pelo menos em parte, a questão dos salários. Mas para o diretor, já está passando da hora de a comunidade londrinese e até o Estado do Paraná acordarem para a importância da companhia e assumí-la como ‘‘vitrine’’. ‘‘Nós estamos divulgando não só o nome de Londrina mas também o Paraná. No exterior, muita gente nem sabe que existe este Estado brasileiro. E nós o estamos divulgando’’ - afirma.
Recém-chegado de Lima, no Peru, onde foi a única companhia de dança brasileira convidada a se apresentar no Festival Internacional Danza Nueva, o Ballet já trouxe na bagagem o convite para retornar no próximo ano, quando o festival completa 10 anos. ‘‘Os organizadores pretendem apresentar, no próximo festival, os quatro melhores grupos que dançaram ali nestes 10 anos. E nós estamos incluídos nesta seleção’’ - conta.
Ainda em Lima, o grupo também recebeu a confirmação do convite para o Festival Internacional de Dança de Cama Way, que será realizado em dezembro, e para o Internacional de Havana, em março de 98, ambos em Cuba. Além disto, organizadores dos Festivais de Dança de Campina Grande e Recife estão tentando conseguir as passagens para que o Ballet se apresente lá, em julho. O mesmo acontece com o Fórum Intermunicipal de Cultura, que será realizado em Brasília. ‘‘Isto nos deixa de certa forma constrangidos. Fazemos sucesso, somos convidados para todos eventos importantes, mas não temos dinheiro para ir’’ - lamenta.

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