Para voar tranquilo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de junho de 2002
Lygia Rebello<br>Agência Estado 
Basta as portas serem trancadas e as turbinas acionadas para o coração acelerar, as mãos começarem a suar e todos os músculos do corpo ficarem tensos. O nervosismo começa com a notícia da viagem, aumenta na hora do check-in e atinge seu ponto máximo na decolagem. Se essa cena lembra você quando tem de andar de avião não se preocupe. Você não está sozinho. Pelo contrário, faz parte das milhares de pessoas em todo o mundo que têm medo de viajar de avião ou sofrem de aviofobia.
Estudos internacionais comprovam que cerca de um quarto, ou até mesmo a metade, de todos os passageiros apresentam sintomas do medo de voar (ou situações semelhantes), segundo o livro recém-lançado no Brasil pela Editora CLA, Voando sem Estresse Estratégias para Superar o Medo de Voar.
De acordo com o psiquiatra do Ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC) Tito Paes de Barros Neto, muita gente tem pavor de avião, mas acaba enfrentando o medo por obrigação, principalmente por causa do trabalho. Porém, quem é realmente aviofóbico não consegue nem entrar na aeronave.
É o caso do aposentado Jéssus Ferreira, de 59 anos, que voou apenas uma vez na vida, na década de 70, e nunca mais conseguiu colocar os pés num avião. Na época eu era policial e tive de ir até o Rio de Janeiro pegar um preso. A viagem foi curta, mas aqueles vácuos de ar assustam. Parece que vai cair. Nunca mais entro num troço desses.
Aviofóbica declarada, a assessora de comunicação Silvana Destro, de 43 anos, se encaixa no grupo de passageiros que consegue enfrentar o medo quando precisa viajar a trabalho. As pessoas normais têm medo. Eu tenho pânico, diz ela. Fico mal uma semana antes e uma depois do vôo. É uma tortura.
Silvana conta que já passou por situações constrangedoras por causa do medo. O pior vexame foi numa viagem de Fortaleza para São Paulo. Fiz um escândalo quando descobri que o avião estava no piloto automático e comecei a gritar para o comandante voltar para a cabine, lembra a assessora, que antigamente não levantava do assento nem para ir ao banheiro.


