Para ver e aprender com Segall
Francelino França
De Londrina
Londrina está recebendo a mostra itinerante A Gravura de Lasar Segall - Poesia da Linha e do Corte, uma pequena mas vigorosa faceta do artista plástico
Uma diminuta porção do talento do artista plástico Lasar Segall pode ser apreciada até dia 6 de agosto no Sesc Fernando de Noronha, com a exposição itinerante A Gravura de Lasar Segall - Poesia da Linha e do Corte. O conjunto reunido pelo Museu Lasar Segall e Sesc contém 16 gravuras em metal e 19 xilogravuras reimpressas das matrizes originais do artista. A exposição já percorreu os estados de São Paulo e Rio de Janeiro. No Paraná, a mostra já passou por Paranaguá e Umuarama. Depois de Londrina, será a vez de Curitiba.
A mostra destaca, entre outras coisas, a Zona do Mangue, famosa área de prostituição carioca. Mas os organizadores da exposição itinerante salientam que o público conhecerá a apaixonante visão de Segall pela figura humana.
O Sesc promove também atividades paralelas dirigidas a escolas, bastando apenas agendar horário. Um vídeo sobre Lasar Segall, nove livros disponíveis para pesquisa e 10 painéis cronológicos sobre a vida e obra do autor estarão à disposição dos visitantes. Os estudantes poderão participar de atividades de cunho didático sobre as técnicas utilizadas pelo artista.
Segall assimilou essa vertente da imagem gráfica quando viveu na Alemanha, reproduzindo um jogo áspero de brancos e negros. Quando o artista desejava registrar a singularidade de uma pessoa, recorria à gravura em metal, como pode ser visto em Retrato em T, revelando um desenho feito de saltos, supressões e cortes. Na vertente contrária, para um efeito mais impactante, Segall se valia do recorte mais genérico da xilogravura. Mulher do Mangue com Espelho e Mendigo estão nessa mostra itinerante.
Nas gravuras realizadas entre 1926 e 1929, no tratamento gráfico dado às moças do Mangue, os planos se dilatam e os corpos se impõem em contornos nitidamente delineados. Em Mulheres do Mangue com Fonógrafo o que se vê é a triste e longa espera das profissionais do amor. O que o público poderá apreciar nessa pequena exposição de gravuras é a combinação de traços precisos com alto grau de força e lirismo.
Segall influenciou os pintores modernistas brasileiros de forma determinante. Sua extensa obra pode ser apreciada no museu que leva seu nome, em São Paulo, na casa onde viveu até sua morte. Pintor e gravador naturalizado brasileiro, Lasar Segall nasceu em Vilna, na Lituânia, então sob domínio russo, no ano de 1890.
Frequentou a Academia de Belas-Artes em Berlim, fator fundamental para sua fase expressionista. Antes de fixar residência no Brasil, em 1932, realizou várias exposições em São Paulo e Campinas. Participou da I Bienal de São Paulo, em 1951, e do I Salão Nacional de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, no ano seguinte.
O que chama a atenção nas obras de Segall é a densidade de suas cores, onde as figuras adquirem um relevo que as aproxima de afrescos bizantinos. A experiência expressionista foi superada pelo impacto da descoberta do colorido ambiente brasileiro. Em sua fase brasileira, retratou prostitutas, favelas e incontáveis figuras humanas, tendo textos de escritores de peso como Mário de Andrade, Jorge de Lima e Manuel Bandeira salientando a força poética de seus traços.
A Gravura de Lasar Segall- Poesia da Linha e do Corte, até dia 6 de agosto, das 9 às 20 horas, no Sesc Londrina, Rua Fernando de Noronha, 264. Fone (0 + código da operadora+ 43-324-4949).





