Quinze anos de estrada e cada vez mais fazendo jus ao nome. Paralamas do Sucesso. Que se apresentam hoje, às 23 horas, no Cinema Café de Londrina com um repertório calcado no bem-sucedido ‘‘Nove Luas’’. Obviamente, Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone vão passear por antigos sucessos, aqueles que bastam dar os acordes iniciais para que o público se transforme num imenso coral. Cada um tem sua predileta ou suas prediletas. O jeito é torcer para que o grupo toque ‘‘aquela’’. A promoção é da Rádio Folha FM.
Pois bem, o trio ternura do pop brasileiro está vivendo um período de vacas gordas. Sucesso no Brasil, sucesso na vizinhança, principalmente na Argentina onde os Paralamas mantêm um público mais que fiel. Do roquinho básico às influências latinas, o grupo conseguiu tal longevidade artística graças à ousadia de buscar sempre novas linguagens e jeitos para o chamado pop brasileiro.
Acertaram muitas vezes. Noutras foram incompreendidos, principalmente em ‘‘Os Grãos’’ e ‘‘Severino’’, lançados no início da década. Continuaram do mesmo jeito. Já haviam conquistado um adjetivo que poucos grupos no Brasil conseguiram manter: prestígio. As pazes com o público brasileiro aconteceram com ‘‘Vamo Batê Lata’’ em função da fúria despertada no Congresso Nacional com ‘‘Luis Inácio (300 Picaretas)’’.
A polêmica rendeu 900 mil cópias de um disco gravado ao vivo e também em estúdio. No meio do nhenhenhém, uma pérola - ‘‘Uma Brasileira’’. Uma vez reposicionados como bons vendedores de disco, surge ‘‘Nove Luas’’ em que o grupo buscou novamente falar o dialeto de público. Contato reestabelecido, retorno garantido.
PeneiradaOs Paralamas vieram ao mundo fonográfico em 83 com Cinema Mudo. Eram só e simplesmente uma promessa. No seguinte, disco novo e vários sucessos emplacados, como ‘‘Óculos’’ que chegou a arrancar elogios de gente pesada como Gilberto Gil que viu na canção um mote tropicalista. Grupos e mais grupos surgiam, dos mais medíocres aos mais consistentes. Era a década de oitenta que sugeria um Brasil musicalmente pop.
A peneirada chegou. Grupos viraram, merecidamente, fumaça. Restaram os bons ou os que tinham realmente algo a acrescentar ainda. Os Paralamas sobreviveram, assim como Os Titãs e Barão Vermelho que, juntos, ainda formam a santíssima trindade do pop brasileiro. E, no meio disso tudo, Herbert Vianna foi se afirmando como um compositor dos mais inspirados.
Pôde, inclusive, se dar ao luxo de lançar dois discos solos - o experimental ‘‘Ê Batumar钒 (92) e, ainda quente, o delicado ‘‘Santorini Blues’’ - sem que abalassem as estruturas do grupo. O resto da história todo mundo sabe, ou melhor, canta. Falar em cantar, será que Herbert e cia. vão incluir no repertório do show ‘‘aquela’’ coisa divina chamada ‘‘Lanterna dos Afogados’’?
• Paralamas do Sucesso - Show hoje, às 23 horas, no Cinema Café (Pandiá Calógeras, 394). Ingressos R$ 15,00 (esgotados) e R$ 20,00, na portaria da casa. Mais informações pelo telefone (043) 338-0080.

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