Enquanto há tempos os galãs de novelas conseguiam agradar e atrair mulheres das mais diversas faixas etárias, nos dias atuais, grande parte dos bonitões da dramaturgia estão ''setorizados''. No lugar de Francisco Cuoco e Tarcísio Meira, por exemplo, que décadas atrás faziam mocinhas e vovós suspirarem por seus portes altivos e vozes empostadas, atualmente os arquétipos masculinos costumam se dividir entre os que atraem de adolescentes a balzaquianas e os que seduzem mulheres de meia idade em diante.
Exemplos disso são os jovens galãs, como Fiuk e Caio Castro, por exemplo. Caio tem sido considerado quase um ''Zé Mayer mirim''. Ele fascinava milhares de adolescentes enquanto atuava em ''Malhação'' no ano passado. E este ano, em ''Ti-Ti-Ti'', seu personagem Edgar tem caso com as personagens de Ísis Valverde, Maria Helena Chira e a bela trintona Guilhermina Guinle. Já tipos como Zé Mayer, por exemplo, considerado o galã-romântico e pegador, atualmente atrai mais as mulheres maduras. ''Sou um ator romântico. Sei que minha especialidade é ser galã, mas a minha fama de pegador está se esgotando'', brinca Zé.
Para Gilberto Braga, autor da próxima trama das nove da Globo, ''Insensato Coração'', que conta no elenco com um leque de galãs de diversas idades, como Tarcísio Meira, Antônio Fagundes, Fábio Assunção e Jonatas Faro, seu foco não é selecionar o mocinho apenas pelo ''appeal'' de galanteador. ''Nunca procuro galãs, mas bom atores. É o caso do meu protagonista Eriberto Leão, que não é só atraente'', ressalta Gilberto.
Ou seja, o tipo meio galã meio canalha, que décadas atrás fazia sucesso com a mulherada, parece cada vez mais escasso. Atualmente, alguns dos galãs da dramaturgia nacional que têm um alcance maior são os que demonstram alguma fragilidade ou vulnerabilidade em seus gestos, como Wagner Moura, Matheus Solano e Rodrigo Lombardi, por exemplo. ''O perfil do galã clássico, sem máculas, pertence a outra época. Hoje, os galãs são gente de carne e osso, têm problemas, conflitos no trabalho, crises e ainda têm de fazer com que o público feminino suspire por ele. Ou seja, ter todo esse carisma é cada vez mais difícil'', avalia o autor Ricardo Linhares.
Há também aqueles galãs atípicos, com baixa estatura, representados na dramaturgia nacional por Bruno Gagliasso, por exemplo, que mede 1.65 m. Em ''Passione'', trama das oito da Globo, seu personagem Berilo é um bígamo cômico. Aliás, o ator nunca chegou a viver um mocinho galã e sempre se destacou com papéis bem diversos, como um ''gay'' em ''América'' e um esquizofrênico em ''Caminho das Índias''. ''Não me vejo como galã. É muito louco eu ser um dos campeões de carta da emissora. Galã tem de ser alto'', acredita Bruno.
Do alto de seu 1,97 m de altura, Victor Fasano, no entanto, teve de lutar por anos contra o estigma de ator-galã. ''Isso me incomodava, mas tinha de ser classificado de alguma coisa. Todos os atores são. Só não queria ser apenas isso'', observa Victor. Já Dalton Vigh, com porte atlético e 1,92 m de altura, não entende ao certo porque não emplacou mais galãs ao longo de sua carreira. ''Não tenho um biotipo brasileiro. Meu tipo físico me limita a alguns tipos de personagens'', analisa Dalton.
Na verdade, independentemente de porte ou tamanho ou que nicho feminino um ator atrai mais, o que de fato classifica de forma atemporal os galãs é um carisma marcante aliado a determinadas características, como um olhar malandro, um belo tipo físico ou até mesmo alguma esquisitice intrigante que humanize seus personagens. ''Não podemos mais estereotipar os atores. Os personagens estão mais humanizados e as características humanas são determinantes para que as pessoas sejam atraentes'', avalia Marcílio Moraes, autor de ''Ribeirão do Tempo'', da Record.

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