Quem acha que livro é só um conjunto de páginas enfeixadas por capa e contracapa, não avalia o tamanho da miopia – pelo menos comparando-se esta visão com o olhar apaixonado do diretor da Imprensa Oficial, Miguel Sanches Neto. Ele confessa: ‘‘Sou muito fetichista. Para mim o livro é um fetiche, é um objeto físico antes de ser intelectual’’. Para tornar a argumentação ainda mais fundamentada, afirma que ‘‘um livro bem impresso agrega ao prazer da leitura um prazer a mais que é o de manusear um objeto de arte’’.
Além disso a qualidade gráfica conta pontos na leitura e até mesmo para a escolha do volume. Se numa prateleira estiver um volume bem impresso no meio de outros ruins, o leitor optará pelo primeiro. Se o conteúdo vai agradar é outra história, mas o impulso inicial é pelo trabalho mais apurado. ‘‘O livro como objeto físico é importantíssimo na formação da leitura’’, explica.
Como responsável pela Imprensa Oficial, Sanches Neto quer que os títulos editados ali tenham esse quesito de qualidade. ‘‘Não vou dizer que iremos atingir a excepcionalidade, mas estamos melhorando’’, avisa. ‘‘A minha preocupação como escritor e crítico literário é que a Imprensa ocupe esse espaço e que de certa forma chame a atenção das demais gráficas e que elas também venham a se preparar, a produzir livros no Paraná. Isso é importante não apenas para a indústria, mas para a cultura paranaense’’.
O mercado é dos mais interessantes pois os escritores têm hoje possibilidades muito maiores de editar sua própria obra do que dez anos atrás, compara o diretor. Aliás, as edições independentes são uma tendência mundial. Na Feira do Livro do ano passado a Imprensa Oficial alugou um estande para que os paranaenses pudessem mostrar seus trabalhos. Apareceram 163 autores ‘‘das mais variadas procedências e dos mais variados assuntos. Noventa por cento publicaram por conta própria’’, contabiliza. No entanto quantidade e qualidade não caminham juntas: ‘‘Geralmente os livros feitos no Paraná são muito feios’’.
Outro fenômeno que não é uma exclusividade local, diz respeito à leitura – existe muito mais gente escrevendo do que lendo. Sanches Neto faz uma análise da situação:
– O Paraná lê muito pouco e a culpa não é só da escola, do professor nem dos organismos responsáveis pela leitura e pelo ensino. A culpa é um pouco do próprio escritor paranaense que tem um comportamento mais introvertido. Ele sai pouco da torre do seu estúdio, se expõe pouco, enquanto no Rio Grande do Sul é uma prática meio generalizada os autores participarem de programas de leitura nas escolas. Aqui, falta essa visibilidade. (Z.C.L.)

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