Para rir com o horror trash
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
''Mais do que fazer o público rir, o filme ri com o público.'' As palavras do crítico Wilson Cunha, ao fazer uma breve resenha sobre o longa ''A Morte do Demônio'' (''Evil Dead'') ficaram martelando na cabeça do dramaturgo - e agora cineasta - Paulo Biscaia Filho durante anos. Até que sua companhia de teatro, a Vigor Mortis, colocou a ideia em prática e disso resultou ''Sangue, Baiacu e Quadrinhos''. Agora, o grupo curitibano faz o mesmo no cinema, em longa homônimo: une humor e horror, em uma homenagem aos filmes B dos anos 70 e 80, que estrea nesta semana na Capital e depois segue para o grande circuito nacional.
''Sangue, Baiacu e Quadrinhos'' conta, basicamente, as histórias de três personagens: uma espirituosa e tagarela escritora de quadrinhos, Ana Argento (Mariana Zanette); um esquisito vendedor de seguros cataléptico, Tom (Anderson Faganello); e o médico legista psicopata Doutor Daniel Torres (Leandro Daniel Colombo). A trama entrelaça a medíocre vida do trio em uma sequência de eventos que envolve mortes, sexo, humor negro, perversão e sangue. Muito sangue.
O que chama a atenção logo de cara é a forma debochada da narrativa de Ana Argento, que conversa com o telespectador e ri das próprias tragédias. Esse tom de descompromisso permeia toda a narrativa e já deixa claro que todas as imagens de violência estilizada não devem ser levadas assim tão a sério. Estão ali só para conduzir a trama ao desfecho com direito a uma luta de quinta categoria.
As referências e os diálogos rápidos já buscam também, logo de início, uma identificação com produções ''camp'' (aqueles filmes malfeitos por querer, como os primeiros de Peter Jackson, a exemplo de ''Bad Taste - Náusea Total'' e ''Fome Animal'', até os do longo catálogo da Troma). Desde o nome de Ana Argento, uma clara referência ao diretor ''giallo'' Dario Argento, até ''Duro de Matar'' ou ''Evil Dead 3'' (''Uma Noite Alucinante 3''), o objetivo em ''Morgue'' é divertir em meio à tensão ''fake'' que explora a rasa, porém curiosa, complexidade de cada personagem.
O longa propositalmente abusa da dramaticidade da peça homônima bem-sucedida nos palcos curitibanos e aproveita os recursos audiovisuais para ampliar a linguagem cinematográfica inerente à obra original. Não se atreve a ser mais do que uma divertida história e nem ousaria concorrer com ''Toy Story 3''. Mas pode ser uma boa opção para quem se entediar facilmente com os vampirinhos de ''Eclipse''.


