Para reviver os anos 70
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segunda-feira, 19 de outubro de 1998
Celso Mattos 
As lentes do cinema estão voltadas para os fervilhantes e obscuros anos 70. Esse revival pode ser visto em Velvet Goldmine, que será apresentado na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e também em Boogie Nights - Prazer sem Limites, que acaba de chegar às locadoras. Dirigido por Paul Thomas Anderson, um jovem de apenas 27 anos, o filme foi indicado a três Oscars: melhor roteiro, ator e atriz coadjuvantes. Porém, merecia mais. É um dos poucos filmes que consegue ser bom por completo. Direção, elenco, roteiro e trilha sonora estão em perfeita harmonia.
Boogie Nights é divertido e emocionante. Visto através do filtro kitsch dos anos 70, ele consegue transformar a pornografia pesada em algo quase inócuo. O filme aborda a ascensão e queda de um artista pornô na visão de um diretor que nasceu para fazer cinema. Paul Thomas Anderson mostra isso desde as primeiras cenas, quando a câmera passeia por uma discoteca do Vale de San Fernando, na grande Los Angeles, mostrando, com muita naturalidade, cada um dos personagens da história. É com muita sensibilidade que ele retrata a fervilhante indústria californiana do cinema pornográfico dos anos 70/80.
Através da trajetória de Eddie Adams (Mark Wahlberg), um garoto meio perdidaço e fã de Bruce Lee que ganha a vida lavando pratos na discoteca Boogie Nights e, às vezes, mostrando seu pênis de tamanho descomunal por US$ 5,00. Descoberto pelo diretor de filmes pornôs Jack Horner (Burt Reynolds), Eddie se transforma no astro Dirk Diggler, indo da fama ao submundo das drogas. Aclamado como um novo Tarantino, Paul Thomas Anderson estreou na direção aos 23 anos com o filme Jogada de Risco, exibido em 1996 nos festivais de Cannes e Sundance. Apesar de conseguir boas críticas, o filme não emplacou nas bilheterias, mas pode ser visto em vídeo.
Tanto Jogada de Risco quanto Boogie Nights falam de vícios e submundos habitados por pessoas que não têm outra escolha a não ser se unirem. Ambos são janelas surpreendentes para a imaginação e o virtuosismo de um diretor que parece ter nascido pronto. Paul Thomas Anderson é tão bom que conseguiu transformar um ator canastrão como Burt Reynolds numa revelação que lhe valeu a merecida indicação ao Oscar. É preciso destacar também a excelente interpretação do jovem Mark Wahlberg, ex-modelo da Calvin Klein, que atuou ao lado de Leonardo DiCaprio em Diário de um Adolescente. Mark Wahlberg é um ator que promete muito.
Boogie Nights está entre os melhores filmes lançados em vídeo este ano. Mas quem alugar a fita esperando ver cenas de sexo explícito vai se decepcionar. Paul Thomas Anderson tem a invejável habilidade para sugerir sem mostrar.Lançamento da Warner Home Vídeo. Duração: 155 minutos.


