Maria Manoella tem uma árdua missão em sua volta à tevê. Viver uma mulher preconceituosa, em pleno século 21, é algo que atriz vê também como uma possibilidade de abrir espaço para uma reflexão social sobre diferenças. Com o tom de voz baixo e um semblante sereno, ela escolhe cuidadosamente as palavras para descrever a ferina Branca, que interpreta em "Sete Vidas". "É muito difícil dizer as coisas que a Branca fala com naturalidade, como se aquilo fosse a verdade absoluta. É uma personagem conservadora, que acha que a sogra é um mau exemplo para os filhos, mas também não chega a ser exemplar como mãe", explica, referindo-se à relação turbulenta da personagem com a sogra homossexual Esther, papel de Regina Duarte na trama. Feliz com a temática abordada por Lícia Manzo, Maria tem um discurso de respeito ao ser humano. E chega a se assustar com suas falas no folhetim, mas percebe que as situações que representa são bastante próximas à realidade. "A autora está tocando em um ponto muito delicado. As pessoas têm de aceitar essa nova estrutura familiar. É bom ser diferente tanto quanto é bom ser igual. Vamos respeitar tudo", defende.
Para compor a personagem, Maria Manoella preferiu observar mulheres nas ruas e em shoppings que tivessem um perfil parecido, já que vive uma dona de casa que é casada com o advogado Luís, interpretado por Thiago Rodrigues. Além disso, em uma conversa com a autora, a atriz conseguiu mais uma referência para se inspirar antes de entrar em cena. "A Lícia me indicou o livro 'As Correções', do escritor Jonathan Franzen. Apesar de ser uma personagem mais velha, ela me ajuda a enxergar melhor a Branca, que definitivamente não vai despertar abraços carinhosos no público", salienta.
Ao longo de sua carreira, Maria Manoella se dedicou intensamente ao teatro e ao cinema, em São Paulo. Em suas últimas aparições na tevê, esteve presente na novela "Três Irmãs", na minissérie "JK" e na série do HBO "Mandrake". Agora em "Sete Vidas", ela se sente privilegiada por ver seu trabalho alcançar tantas pessoas. "O cinema te arrebata, o teatro tem uma coisa operária de fazer todo dia que encanta, mas a tevê é muito especial por me colocar dentro da casa das pessoas. Para mim, esse momento é como uma consagração de tudo que já fiz", revela. Instigar o corpo e a mente é uma necessidade de Maria Manoella. Desde fazer uma aula de circo ou aprender uma técnica nova, para a atriz seu ofício está constantemente ligado a se mover em diversas direções. "O ator não pode parar porque o corpo é o nosso material de trabalho. Gosto de pensar que somos uma máquina em movimento", reflete.
Fora da televisão, Maria Manoella costuma escolher a dedo cada um dos projetos em que se envolve. Após "Sete Vidas", os planos da atriz são gravar um filme, a princípio chamado "Donas do Paraíso", e estudar uma nova peça que ainda está sendo escrita. "A gente até começou a filmar, mas teve uns problemas e paramos. Devemos enfim rodar quando acabar a novela. Vejo o cinema no Brasil crescer. Com novos meios de produção, abriram-se mil possibilidades", acredita. Por escolher uma profissão em que teve de aprender a lidar com o fracasso da mesma forma que com o sucesso, Maria Manoella diz não pensar se um trabalho poderá abrir novas portas quando aceita algum convite. "Crio a expectativa de realizar um bom trabalho e de dar a dimensão correta da personagem. Nada além disso", enfatiza.

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