Para reunir a família
Dona Shiguê Furukawa aprendeu alguns pratos japoneses com a mãe depois que se casou. Hoje - para a senhora risonha que acha engraçada a ideia de sua história sair no jornal -, cozinhar virou sinônimo de alegria, de reunião em família e de cuidado. Com dez filhos e 84 anos de idade, dona Shiguê ainda faz algumas iguarias em casa e reúne a família para ajudar. Depois de finalizado, o prato é dividido entre os filhos, que levam, cada um, um pouco para casa.
O moti é um dos pratos cuja feitura é mais eficiente se houver várias mãos ajudando. Depois de cozido no vapor, o motigome (arroz especial para moti) é posto no pilão para amassar. Assim, o arroz vira uma massa, é modelado em bolinhas e posto para secar, conta a senhora. A tarefa no pilão de madeira, que é pesado, tem que ser revezada entre os familiares. A hora de fazer bolinhas de moti também é uma diversão quando todos estão reunidos.
O missô, pasta de soja usada para temperar alimentos como carnes, legumes e sopas como o missoshiru, exige tempo de fermentação e é feito por dona Shiguê com todo cuidado. A iguaria leva arroz e soja. O arroz é cozido no vapor e é acrescido a ele o fermento. Por três ou quatro dias, fica descansando até adquirir aspecto amarelado, resultando no koji, nome do arroz fermentado. Depois, a soja é moída e colocada junto, formando uma mistura que depois de meses fermentando com o sal, vai resultar na pasta do missô. "Antes de acabar um, já tem que fazer outro", brinca dona Shiguê. O que não deixa de ser verdade, já que o processo todo leva mais de quatro meses.
O missô é um dos temperos do tsukemono, uma conserva de uri, um pepino japonês. O pepino fresco é posto ao sol com sal para desidratar sem as sementes, e em seguida, é mergulhado em uma solução com açúcar, vinagre, missô e pinga. "Uso bastante pinga", ri a senhora, contando também de outro prato com carne de porco, preparado com o missô e a bebida.
Riqueza
A filha de dona Shiguê, Kazumi Furukawa, aprendeu com a mãe a fazer o tofu, e hoje vende o produto a supermercados e em sua loja de congelados. "Como é uma coisa saudável, gostaria que as pessoas do Brasil aprendessem a comer também", diz, acrescentando que a culinária aprendida com os pais é valiosa. "É uma tradição que não pode morrer."(M.F.C.)





