Para quem vive no ar
Para quem vive no ar
Agência Estado
Milton Dória/Arquivo FolhaO Pelourinho, em Salvador: viagem à capital baiana é o prêmio mínimo do programa Smiles. Para ganhá-lo é preciso acumular 20 mil milhas.A passagem aérea ainda é cara no Brasil. Mesmo assim, existe um público que está sempre engrossando a fila do check-in, decolando e pousando em vários aeroportos do País ou do exterior. Eles são os frequent flyers, profissionais liberais ou turistas endinheirados
que passam boa parte do ano viajando pelo mundo. É para conquistar a fidelidade desse tipo de cliente, que as empresas aéreas oferecem os programas de milhagem.
Os programas funcionam praticamente da mesma forma. O participante tem um saldo, em que são contabilizadas todas as milhas que ele acumula a cada vôo que faz pela companhia. Quando atinge uma determinada quantia, pode trocar as milhas por prêmios, que vão desde desconto no preço das passagens a bilhetes grátis.
Graças a parcerias e acordos com outras empresas, os participantes também podem transformar em milhas compras e outros gastos, relacionados ou não com a viagem.
Parcerias Pela Varig, no programa Smiles, por exemplo, é possível creditar milhas a partir de gastos em lojas como floriculturas, joalherias e até em passagens aéreas de outras empresas se compradas pelo cartão de crédito com o símbolo da companhia, em que cada dólar gasto equivale a 1,2 milha.
Para conseguir o prêmio mínimo, uma passagem ida-e-volta até Salvador, o participante do Smiles precisa acumular 20 mil milhas. Com uma viagem de São Paulo a Lisboa, por exemplo, acumula 4.796 só na ida.
Se o passageiro se associar ao cartão de crédito com o qual a companhia mantém acordo, soma mais 5 mil milhas na conta. Pedindo um cartão adicional, mais 1.500. E assim vai. Não existe um tempo máximo para o acúmulo de milhas, porém a validade das milhas na conta é de dois anos, explica o gerente do programa, Amauri Cabral.
A Transbrasil é outro exemplo da parceria com cartões de crédito. A companhia não tem um plano de milhagem, apenas seu cartão de crédito. Os portadores do cartão transformam qualquer compra em pontos, que podem ser trocados por prêmios. Milhas voadas não contam pontos, mas se o passageiro comprar o bilhete da Transbrasil com o cartão ganha mais pontos por cada real gasto.
Milhas dobradas Pelo programa da TAM cada embarque conta como um ponto. Assim, uma viagem ida-e-volta soma dois pontos. Se o passageiro completar dez em um ano, ganha um bilhete de ida para qualquer destino servido pela companhia. Segundo o assessor da presidência da companhia, Paulo Pompilio, a TAM já concedeu, em quatro anos de programa, mais de 200 mil trechos-convite.
Os acordos da TAM também permitem que o passageiro ganhe pontos sem viajar. Com o cartão de crédito, explica Pompilio, o passageiro ganha três pontos ao pagar a anuidade. Pedindo um cartão adicional, mais dois trechos. As compras viram um ponto a cada R$ 500 gastos. Se o participante se hospedar em um dos 50 hotéis brasileiros parceiros da TAM, ganha um ponto por cada R$ 150 gastos em hospedagem.
Outro tipo de contagem é o adotado pela Vasp. Cada vôo internacional (exceto América do Sul e Caribe) conta como três créditos na ida e três na volta. Vôos dentro da América do Sul e Caribe contam um ponto a cada embarque. Com 24 pontos, o participante tem direito a um bilhete ida-e-volta dentro do Brasil.
Mas não é só entre as companhias que a contagem varia. Dentro de um mesmo vôo, as milhas podem ter valores diferentes dependendo da classe em que os passageiros viajam. Os da primeira classe da Air France, por exemplo, contabilizam três vezes a quantidade de milhas percorridas. Ou seja, uma viagem Brasil/França/Brasil, saindo de São Paulo, rende mais de 35 mil milhas. Na classe executiva, o passageiro da Air France acumula o dobro das milhas voadas.
Ganhar milhas parece simples, mas perdê-las também é fácil, e por isso é preciso estar atento. Muitas vezes, os passageiros deixam de contabilizar milhas quando viajam por esquecer de apresentar o cartão na hora do embarque, por ter viajado em vôos charter de pacotes turísticos ou até por ter comprado uma passagem especial para agências de viagem.





