Para poucos e bons
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sexta-feira, 11 de julho de 1997
Da Redação e Agências 
France PressThierry MuglerO mundo da moda voltou os olhos para Paris esta semana. De domingo a quinta-feira, 22 maisons apresentaram suas coleções de alta-costura para o outono-inverno 97/98. Embora os desfiles de prêt-à-porter de luxo, que acontecem em março e outubro, estejam cada vez mais parecidos com os de alta-costura, mostrados em janeiro e julho, o clima das duas temporadas é diferente. Enquanto os primeiros têm um frisson novidadeiro no ar, os segundos são mais circunspectos e refinados. É fácil deduzir a razão: nenhum vestido exibido durante os últimos dias nas passarelas da capital francesa custa menos de US$ 5 mil.
France PressKarl Lagerfeld para Chanel
Apesar da crise econômica e das mudanças vividas pela moda nos últimos anos, a alta-costura continua sendo um laboratório de idéias que vem atraindo jovens e brilhantes estilistas como Alexander McQueen e John Galliano, responsáveis pelos desfiles mais comentados desta semana. À frente da Givenchy desde o final do ano passado, McQueen armou seu desfile na faculdade de Medicina de Paris, redecorada com imensas cortinas vermelhas e drapeados presos por mãos douradas. Gaiolas enormes detiam corvos na penumbra do ambiente. A coleção mistura todas as épocas, tendo a selva como pano de fundo.
France PressAlexander MacQueen para Givenchy
Naomi Campbell apareceu vestida com uma casaca dourada, de olhos felinos e pescoço girafa. Detalhes como cílios postiços de plumas e unhas curvilíneas tipo garras deram um toque selvagem às modelos. Havia ainda arcos de cabeça feitos de ossos sob véu preto. As más línguas do Sunday Times informaram que a polícia francesa havia investigado a utililização de dentes e ossos humanos na coleção, mas um dos diretores da Givenchy desmentiu a história.
Arrancando elogios da crítica, o inglês John Galliano fez de seu desfile para a grife Dior uma viagem pelo passado. Recebeu seus convidados nos famosos jardins de Bagatelle, decorados com arbustos, uma ponte japonesa e um colchão de folhas. A espiã Mata Hari, a atriz Sarah Bernhardt e algumas rainhas africanas são parte de seu mix de referências, que inclui ainda a própria história de Dior. O tailleur Bar aparece com a mesma cinturinha de pilão dos tempos de Dior, só que agora vem com uma longilínea saia em viés, de uma fina lã espinha-de-peixe. Lamê com rendas e bordados, tecidos esvoaçantes sustentados por bijoux , jaquetas de pele de crocodilo, e microbordados feitos à mão foram alguns dos destaques.
France PressAlexander McQueen para Givenchy
A preciosidade também foi a tônica da coleção de Emanuel Ungaro. Todos os seus modelos foram bordados, realçados com pedrarias em tecnicolor e com muitas plumas na cabeça. Drapeados, transparências e estampas apareceram com frequência. Já o italiano Gianni Versace caracterizou sua coleção como um tipo de minimalismo Bizantino e como neojaponesa. Vestidos pretos justíssimos com enchimentos, que tornavam os ombros das modelos angulares, foram constantes em seu desfile.
Yves Saint Laurent trouxe de volta o bolero brocado e encrustado de jóias, assim como o smoking preto para a noite, um de seus clássicos, com alfaiataria masculina e corte simples. Valentino optou por uma interpretação conservadora das tendências deste fim de milênio, mas não abriu mão das peles, assim como a maioria dos estilistas dessa temporada. Pelo visto, os ecologistas que protestaram nas últimas temporadas devem estar de férias.


