A música ‘‘Chega de Saudade’’, um dos clássicos da MPB (de Tom Jobim e Newton Mendonça), será o primeiro som da Rádio Universitária FM de Maringá, que entra no ar amanhã, às 20 horas. A nova emissora em Frequência Modulada da cidade vai operar, ainda em caráter experimental, das 8 às 18 horas, na faixa 106.9 do dial. E de acordo com seus seis animados funcionários, será uma opção para quem quiser fugir do chacundúm comercial que hoje toma conta das FMs brasileiras.
A Universitária FM, que pertence à Universidade Estadual de Maringá, é um exemplo de como a participação da sociedade em projetos de interesse comunitário pode dar certo. Foi construída no local onde era a garagem do reitor Luís Antônio de Souza, com seu total apoio. O transmissor foi cedido pela Rádio Educativa do Paraná, a antiga estadual, através do Secretário de Estado da Cultura, Eduardo Virmond, que estará presente à cerimônia de inauguração. A Rádio Educativa de Londrina doou a torre e a antena com dois elementos.
Segundo o responsável técnico pela implantação da rádio, Washington Castilho, a antena foi transformada para quatro elementos e ganhou maior alcance. A nova emissora deverá atingir toda a cidade e algumas cidades vizinhas. A rádio Globo FM, sem discriminar a possível concorrente, doou alguns equipamentos que incluem a mesa de cinco canais. Muitos dos equipamentos foram doados pela Maringá FM e outras emissoras já estão se mobilizando para reunir outras doações.
‘‘Qualquer doação é benvinda e por isso estamos contentes com o empenho da comunidade’’, anuncia Marialva Taques, que vai dirigir a Universitária. Com 20 anos de experiência em televisão, e atualmente como assessora de comunicação social da UEM, a jornalista Marialva Taques está radiante com a nova emissora maringaense. ‘‘É gratificante ver nascer esta rádio educativa que faz parte do patrimônio científico e cultural. Ela é uma via de mão dupla que, além de aperfeiçoar o gosto musical da comunidade através de uma programação diferenciada, vai ser um veículo da comunidade que vai divulgar toda a produção da Universidade’’, explica Marialva Taques.
Ecletismo musical A programação da nova emissora deverá ser uma ótima opção para quem tem bom gosto musical. Coincidência ou arranjo divino, ainda não se sabe ao certo, o fato é que os quatro funcionários concursados que vão dar vida à Universitária FM, nas horas vagas, são músicos. O programador Ricardo Vianna é trumpetista. Ele vai fazer toda a grade musical da rádio. Decidiu que a primeira música será ‘‘Chega de Saudade’’ porque, além de levantar a bandeira de Tom Jobim, os clássicos da MPB serão o filé da programação. ‘‘Vamos matar a saudade do povo’’.
Além das estrelas da MPB, a rádio vai tocar também música instrumental e as grandes orquestras nacionais e internacionais. Na hora do almoço, terá um programa de música erudita. Vianna também pretende dar voz a diversos grupos regionais, músicos do Paraná, tão pouco divulgados. ‘‘Só não vamos tocar chacundúm’’, anuncia o programador.
George Hemerson, técnico de estúdio que trabalhou na Caiuá de Paranavaí, é violonista. Ele vai operar a mesa, os dois aparelhos de CD e dois Pick-Up MK2. ‘‘Vamos mostrar música para gente de bom gosto’’, declara. Paulo Petrini, além de tocar sax soprano, é o responsável pelo programa Jazz & Companhia, uma das estrelas do rádio maringaense que só mudou de endereço. ‘‘Vamos programar shows de MPB, especialmente os da Bossa Nova, e o autêntico Jazz, além de mostrar a produção nacional de música instrumental que tem qualidade mas que é pouco divulgada. Agora vamos dar a maior força’’, avisa Petrini.
Por enquanto, a voz da Universitária será a do locutor Nilson Fidelis, com mais de cinco anos em outras emissoras e que nas horas vagas é compositor. Ele tem até uma música gravada. Foi a ‘‘Quebra-coco’’, que por ser um ritmo bem brasileiro ainda não conseguiu espaço nas FMs locais. Fidelis, assim como os outros funcionários, está trazendo um monte de discos da sua discoteca pessoal para enriquecer o acervo da Universitária FM.
‘‘O mais importante nessa programação é que o ouvinte poderá conhecer o outro lado do disco mais tocado’’, diz. ‘‘A maioria das emissoras escolhe uma música para tocar e esquece das outras faixas do disco. Aqui nós vamos mostrar as boas músicas que quase não são executadas nas FMs’’- completa.
Sonhos e Projetos
A diretora da Rádio Universitária FM ainda está quebrando a cabeça para fazer funcionar a emissora durante 10 horas diárias, com tão poucos funcionários, mas acredita que na hora tudo será bem resolvido em conjunto com o setor administrativo da UEM. Mesmo assim já revela alguns sonhos para a emissora no futuro. ‘‘Pretendo fazer um Jornalismo diário, atuante, mostrando o que acontece dentro e fora da Universidade’’, revela Marialva Taques. Segundo Paulo Pupim, um dos jornalistas da UEM, a emissora, por enquanto só vai transmitir boletins horários elaborados pelos funcionários da Coordenadoria de Imprensa, que pertencem ao setor de Comunicação Social da UEM.
Marialva Taques diz que a rádio será ainda utilizada como o veículo de divulgação de toda a produção da Universidade e como um agente à serviço da comunidade. ‘‘Imagino um programa que preste assistência jurídica aos carentes. Um outro programa que ensine de maneira agradável a nossa língua Portuguesa, a transmissão ao vivo de debates científicos’’, imagina a diretora. ‘‘Queremos uma programação que difunda a produção acadêmico-científica e cultural e que revele as pesquisas que são realizadas dentro da UEM. Mas por enquanto é sonho’’, confessa Marialva Taques.

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