Para onde vai o dinheiro?
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domingo, 27 de dezembro de 2015
Marian Trigueiros<br> Reportagem Local 
Inaugurada em 1952, a antiga rodoviária (Museu de Arte de Londrina desde 1993) - uma das principais obras do arquiteto Vilanova Artigas na cidade - foi restaurada no final da década de 80 e, atualmente, está em condições precárias, apresentando estruturas enferrujadas e risco de desabamento, além de infiltrações. Apesar disso, recebeu certificação de vistoria do Corpo de Bombeiros em julho deste ano, válido pelo período de doze meses. Em junho deste ano, a secretária municipal de Cultura, Solange Batigliana, chegou a anunciar em entrevista à FOLHA que seria aberto, em 2016, um edital de licitação para obras de restauro, que seriam pagas com orçamento da própria pasta, da mesma forma que está sendo feito com a Casa da Criança, que deve ficar pronta em fevereiro de 2016.
À época, Solange disse que um projeto de restauro para o museu feito em 2011 avaliou que o valor para a obra completa da edificação ficaria em torno de R$ 2,4 milhões. A pasta disporia, inicialmente, de cerca de R$ 500 mil, que seriam utilizados na parte elétrica e hidráulica. E, a cada ano, portanto, a secretaria realizaria uma etapa da obra. A última intervenção no Museu de Arte - um projeto de revitalização - foi feita no local em 1998, justamente na parte elétrica e hidráulica. No entanto, na última semana, a secretária comentou que a destinação do recurso pode ser encaminhada a outros espaços "conforme necessidade e prioridade" e, no museu, seriam feitos reparos com equipe própria.
Uma das prioridades, então, seria o Teatro Zaqueu de Melo, que poderá ser agraciado com a verba em 2016. Isso porque, de acordo com a secretária, é preciso avaliar o que vai ser mais efetivo para a cidade. "O Zaqueu de Melo é o único teatro público em Londrina. A última reforma feita no local foi em 2001. O recurso da secretaria poderia ser aplicado em aspectos urgentes e que darão resultado rápido, como troca de piso, cadeiras, cortinas, acessibilidade e ar condicionado. Enfim, não foi 'batido o martelo' em nada, mas temos várias frentes abertas e precisamos tomar decisões que serão mais efetivas com o uso do recurso", adiantou Solange.
O teatro completou 30 anos este ano. Em 2011 houve uma reforma na parte elétrica com recursos privados, e, a princípio, não precisaria de nova intervenção. O Corpo de Bombeiros informou que o local não possui certificado válido de vistoria vigente.
Há de se lembrar, contudo, que, no início de 2013, a secretaria chegou a anunciar a vinda de R$ 500 mil do Governo Federal por meio do Fundo Nacional de Cultura, via Ministério da Cultura (MinC). O dinheiro seria usado, justamente, para esses reparos. Entretanto, o recurso, que já estava inclusive empenhado, foi perdido devido a uma negativa de extensão do prazo de entrega do projeto a ser entregue pelo órgão do executivo. "A situação ocorreu, infelizmente, num período em que o MinC estava e está praticando uma série de cortes na destinação de recursos", justificou Solange.
Escolher entre um e outro não é tarefa fácil, visto que ambos precisam de intervenções imediatas. Contudo, a secretária afirma que o Zaqueu de Melo não apresenta riscos para a estrutura e as reformas são necessárias para o bem-estar do público. Por sua vez, o Museu de Arte teria apenas um quinto do total disponível em recurso, ou seja, ainda faltaria uma parcela significativa. "Do ponto de vista estrutural, não existe nenhum problema que seja considerado uma situação de emergência. São questões sérias e que estamos tentando resolver dentro do possível e da limitação que temos, sobretudo orçamentária. Mas, acho muito importante levantar essa discussão, porque esses espaços são patrimônios de todos na cidade e o poder público sozinho, apesar de todos os esforços, não consegue atender toda a demanda."


