Para 'navegar' na poesia
Um sítio de língua portuguesa para o mundo. É assim que o responsável pelo site www.secrel.com.br/jpoesia, o cearense Soares Feitosa, define a sua página literária, um dos maiores acervos da web quando o assunto é literatura em língua portuguesa. Criado há cinco anos, o Jornal de Poesia - como ficou conhecido - possui um acervo considerável de mais de 2 mil poetas e críticos de língua portuguesa. Um verdadeiro arquivo de emoções expressas em ritmos de pensamentos, ou seja, poesias.
Feitosa, como todo bom cearense, é amante da língua portuguesa em toda a sua riqueza e tem o costume de chamar a sua homepage de sítio, forma aportuguesada para site, termo mais frequente. A idéia de organizar um compêndio literário surgiu nas calendas de junho de 1996, quando Feitosa navegava pela internet à procura de poesia de língua portuguesa. Esbarrou num site muito interessante: Portugalnet, e nele havia uma informação sobre uma biblioteca eletrônica - a Biblioteca do Alex - que então teria uma disponibilidade de 2 mil volumes prontos para ler pelo computador. Curiosidade: nenhum em português! Foi então que Feitosa criou o jornal que traz poetas consagrados - de Camões a Castro Alves - e em especial, os poetas novos, inclusive aqueles que nunca tiveram a chance de publicar qualquer coisa. Há também artigos e ensaios sobre teoria poética e literatura de um modo geral.
Mais do que divulgar poesia, Feitosa permite a discussão sobre o fazer poético. Um exemplo: para Fernando Pessoa, arte é a notação nítida de uma impressão errada, falsa. O processo artístico é relatar essa impressão falsa, de modo que pareça absolutamente natural e verdadeira. Assim, misturam-se dois processos - a invenção e a inteligência. Para o poeta, as duas etapas são imprenscindíveis. A arte torna-se então fruto de um instinto intelectual, uma fusão do instinto com a inteligência. Essa é apenas uma das discussões que o site apresenta, já que há links os mais diversos, como academias lusófonas, coisas da arte poética, crítica literária, entrevistando os poetas, endereço dos poetas; e seções especiais, dedicadas aos grandes de nossas letras - Castro Alves, Camões, Cordel Nordestino, Augusto dos Anjos. Só de Pessoa há 1.040 poemas. Os poetas novos e os esquecidos não são desprezados, pois há diversos autores que nada publicaram e apresentam versos dignos de maturidade na escrita. Dois londrinenses somam-se aos 2 mil: o dramaturgo, tradutor e poeta Maurício Arruda Mendonça e o poeta e tradutor Rodrigo Garcia Lopes, ambos com breve biografia e textos selectos.
Outro atrativo do Jornal de Poesia é a Revista Agulha, publicação virtual só encontrada neste site e que discute com a mais fina dialética coisas do fazer poético. Dirigida por Cláudio Willer (especialista em surrealismo) e Floriano Martins, é um modelo similar ao da Cult - revista literária que abrange os mesmos temas -, mas sob um tom mais informal. Agulha está em sua 12ª edição, completando um ano na rede.
críticas e sugestões: [email protected]





