Para não ficar com cara de 'brocoió'
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sábado, 12 de julho de 2008
Caroline Vicentini<br> Reportagem Local 
''Quem não lê não usa a imaginação; fica com cara de brocoió (o escritor faz a expressão de tolo) porque passa muito tempo em frente à televisão. Depois de duas horas assistindo ao vídeo a mamãe pergunta ao filho o que ele está vendo e ele responde - ''não sei''. Mas a mãe também é fisgada pela tv; bem como o papai que chega do trabalho irritado e até os animais de estimação''. As crianças gargalham, interagem entre si e com o escritor paulista Wagner Costa, mas o assunto é sério: a massificação pela mídia a que todos estão expostos.
Autor de 19 livros infanto-juvenis, Costa dedica-se à temática social em seus livros. A assustadora e comum realidade do desemprego de um pai de família, adoção, separação dos pais, mortes, preconceito, sensacionalismo na cobertura jornalística, violência e drogas já foram tratados em títulos como ''O segredo da amizade'', ''As mães e os pais da gente'', ''A guerra do tênis nas ondas do rádio'' e ''Quando meu pai perdeu o emprego''. ''Nas minhas andanças pelo Brasil percebo como as crianças estão assustadas com o que denomino ''violência vermelha''- os assaltos, os crimes. Há também a violência ética. As relações estão mercantilizadas. As crianças querem participar do Big Brother, serem Xuxas, Carla Perez. E nisto está implícita a erotização precoce. A menina tem que sonhar em ser princesa'', pondera.
Repórter policial experiente, com passagens por jornais, rádios e tvs, Costa dedica-se à carreira literária há mais de 20 anos. Consciente da capacidade libertadora da leitura, o escritor decidiu, há oito anos, viajar pelo Brasil para divulgar os seus livros e a importância da educação. Londrina é um dos seus destinos constantes. ''Dedicar-me à literatura infanto-juvenil é uma questão de ponto de vista de vida. A leitura colabora para a formação de cidadãos mais solidários e críticos. Infelizmente, a família brasileira não lê. O pai reclama de um livro que custa R$ 20, mas compra calota de R$ 500 para os pneus do automóvel; gasta, sem culpa, R$ 200 em uma happy hour'', constata. Segundo o escritor, a utilização do jornal em sala de aula é uma das formas mais eficazes de desenvolver o hábito da leitura.
Durante a semana Costa abriu durante várias vezes a porta do castelo da imaginação para contar diversas histórias. As palavras mágicas para adentrar e passear por este mundo encantado foram ''era uma vez'', ''aí, né'', ''e depois?''... Na Escola Alfa, os alunos da Educação Infantil descobriram que o palhaço poderia ter quantos bigodes a imaginação pudesse criar...chorão, assustado, o que solta pum, de japonês, o que dá bronca...
Leitora voraz (três a quatro livros por dia), Lorena Maria Fernandes da Silva, nove anos, não escolhe lugar para ler - em casa, na biblioteca, dentro da sala de aula. ''Fico imaginando como é o final da história e aí não consigo parar a leitura'', confessa. Enzo Sorace Lopes Pinto, sete anos, é fã dos gibis da Turma da Monica. ''Nestas férias o que mais vou fazer é ler'', afirma entusiasmado. Alfabetizado desde os cinco anos (''aprendi a ler sozinho quando o meu pai escrevia um e-mail'', conta), Vítor de Oliveira Santos, sete anos, gosta de ler qualquer coisa. ''Nestas férias vou ler uns livros que encontrei durante a mudança'', comenta.


