Pará mostra o choro
Paula Sampaio/SecultChorões se apresentam durante lançamento do CD em Belém: resgate da música paraensePARÁ MOSTRA O CHORO
Estado revela bons compositores e instrumentistas de choro em disco gravado pela Secretaria de Cultura
Ranulfo Pedreiro
A vitalidade que o choro está apresentando na década de 90 traz na esteira a atenção especial que a música instrumental vem ganhando de selos alternativos, não-comerciais ou vinculados a secretarias de Cultura. A década foi pródiga também ao reunir chorões em cidades tão distantes como Curitiba, Londrina, Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Belém.
Herdeiros de uma tradição que antecede a década de 40, os chorões do Pará ganham uma homenagem da Secretaria de Cultura do Estado com o CD Choro Paraense, uma coletânea com os principais compositores e instrumentistas da região.
No disco, o grupo Gente de Choro, formado e sediado no Bar do Gilson, em Belém, que reuniu os chorões após a extinção da Casa do Choro - ocorrida na década de 80 depois da morte de Ademir Ferreira da Silva, seu proprietário -, toca com diversos convidados e interpreta composições de antigos mestres paraenses.
O trabalho juntou uma tropa com 26 músicos, entre arranjadores, compositores e instrumentistas que tocam desde cavaquinho de cinco cordas a percussão, traçando um verdadeiro painel da história do choro no Pará. As gerações se multiplicam na obra: da década de 40 e 50 estão músicas de Tó Teixeira. Nessa época, chorões como Sabará, Conso do Cavaco, Vaíco e Laureano se encontravam em noites de serestas. Esta geração está representada com as faixas Por Quem tu Choras?, de Tó Teixeira; Lembrando Garoto e Sonhando, de Vaíco; Melobeço, de Conso do Cavaco e Meu Sonho, de Sabará.
Elza Lima/SecultMúsicos tocando no Bar do Gilson: encontro de chorõesJá em meados dos anos 50 o choro chegou ao rádio na capital paraense. Programas como A Hora e a Vez do Boêmio e Conversa entre Violão e Cavaco eram atrações nas rádios Marajoara e Clube. Dessa época são Nego Nelson (Dois Albinos, Tua Máxima Culpa) e Jurandir Miranda. A década de 70 provocou a união de diferentes gerações na Casa do Choro, movimento que continuou no Bar do Gilson.
O disco Choro Paraense resume essa história de encontros espontâneos, em que novatos aprendem com mestres entre um trago e outro no botequim. Como a maioria das rodas de choro, há espaço para improvisos e novidades, como a inclusão do teclado na faixa de abertura, Nostálgico, de Yuri Guedelha, da nova geração de compositores do Estado. O disco faz parte do projeto Pará Instrumental, da Secretaria de Cultura, que já está no quarto volume. Os interessados podem encomendar o álbum pelo telefone (091) 241-2333, ramal 134.





