Jackeline Seglin
De Londrina
Para o dekassegui Josias Roberto Calixto, editar um livro sobre o Brasil foi tão difícil quanto cruzar o oceano. Nascido em Arapongas, norte-paranaense, ele foi um brasileiro a mais que partiu para o Japão em busca de um emprego e novas possibilidades. Não imaginava, entretanto, partir para outros planos.
Em 1994, Josias foi com a família para Nagoya com o objetivo de trabalhar em uma fábrica. Seis anos depois, ele volta ao Brasil para lançar o livro ‘‘Bem-vindos ao Paraíso – Brasil’’, um catálogo com fotos e textos em português e japonês que apresentam o seu país de origem. O material acaba de ser incluído no projeto 500 Anos do Brasil, promovido pelo Governo Federal.
O livro traz características e atrações brasileiras. A capital, Brasília, ganhou um capítulo especial. As demais páginas são preenchidas com 500 fotos, além de textos sobre o Brasil e seus pontos turísticos, belezas naturais, entre outros relatos e imagens. ‘‘Neste trabalho buscamos apresentar, de maneira simples, numa linguagem fácil, não só os encantos do Brasil, mas um pouco de sua gente, de sua cultura, de sua hospitalidade’’, escreveu Josias na apresentação.
Com tiragem de cinco mil exemplares, ‘‘Bem-vindos ao Paraíso...’’ foi distribuído no Japão e está à venda em lojas de produtos brasileiros e em livrarias japonesas. Em Londrina, os interessados podem adquirir um exemplar no saguão do Aeroporto.
Falar do livro, hoje, é mais que um prazer para Josias. Editar as 213 páginas de um Brasil que o Japão desconhece exigiu esforço e persistência. ‘‘Quando cheguei lá, os japoneses falavam do Brasil de uma forma equivocada. Quis mostrar que o País não se resume à Amazônia. Na verdade, eles conhecem apenas o Brasil do futebol, do Carnaval e da cachaça’’, analisa.
Os amigos achavam essa história de livro uma loucura. ‘‘Você veio aqui para trabalhar e juntar dinheiro, não para fazer um livro’’, diziam os colegas. Até mesmo o irmão, o jornalista Osni Calixto, a princípio também duvidou da idéia. Mas acabou topando a empreitada. Boa vontade, no entanto, não era o suficiente para os dois irem à luta.
A principal dificuldade era conseguir dinheiro para viabilizar o projeto. Josias vendeu muita coisa particular, inclusive uma loja de produtos brasileiros que ele tinha em Nagoya. ‘‘Minha sogra também me emprestou dinheiro e disse que quando o livro fosse vendido, eu poderia reembolsá-la.’’
Enquanto Osni Calixto escrevia os textos em Brasília, Josias fazia contatos no Japão. Esse trabalho resultou numa prova do livro, que foi entregue a editoras japonesas. Desempregado – ele já havia saído da fábrica – o brasileiro vendia na rua os salgadinhos que a mulher fazia em casa.
Outro problema inicial – e primordial – também tinha que ser superado: as editoras japonesas não acreditaram na viabilidade comercial do produto. ‘‘Bati de porta em porta com o livro’’, lembra. Certo dia, conheceu o tradutor Cláudio Akiyama, que o alertou para o alto custo do projeto. Porém, o amigo também acreditou no projeto e acabou traduzindo gratuitamente os textos do português para o japonês. ‘‘Ele ainda arrumou uma gráfica e pagou pelo serviço’’, recorda-se emocionado.
Em mais uma viagem ao Brasil, Josias selecionou duas mil fotos conseguidas em bancos de dados – algumas também do fotógrafo curitibano Zig Koch. Por fim, Josias e Akiyama acabaram criando uma editora – a Signus. Em sua atual estada no Brasil, Josias fez questão de entregar pessoalmente um exemplar no Ministério das Relações Exteriores. A visita rendeu mais do que se esperava. É que o ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, incluiu o livro no projeto Brasil 500 Anos.
‘‘Bem-vindos ao Paraíso – Brasil’’, de Osni Calixto, Josias Calixto e Cláudio Akiyama. O livro pode ser adquirido em Londrina (no saguão do Aeroporto) por R$ 70,00.Com a ajuda do irmão e de um amigo, o dekassegui Josias Calixto publica livro, com textos e fotos, mostrando que o Brasil não é só o país do futebol
Dorico da SilvaJosias Calixto, um dos autores, exibe orgulhoso o livro: esforços e dificuldades recompensadosReproduçãoÍndio Kamaiurá, do Parque nacional do XinguReproduçãoComitiva no pantanal mato-grossenseReproduçãoProcissão de Corpus Christi, em Ouro Preto (MG)ReproduçãoFungos na floresta Amazônica