É, no mínimo, um espetáculo instigante. Quem garante são os atores-dançarinos do grupo liderado por Angela Guerreiro que apresenta hoje e amanhã o espetáculo ‘‘Fade - A Triptych of Stolen Stories’’, no Teatro Núcleo 1, às 22 horas. Trata-se de uma perfomance que não conta necessariamente uma história linear, daquelas com começo, meio ou fim ou que tenha um mote certo. No palco, três dançarinos destilam signos através de experiências individuais que tiram da profundidade de suas memórias físicas.
Nada no espetáculo pode ser visto separadamente. Os cinco elementos utilizados - texto, corpo, luz, música, cenários - formam o todo de ‘‘Fade’’. ‘‘Há um tratamento indireto nas informações a serem dadas ao público’’- explica Angela Guerreiro. Ela salienta, entretanto, que o espetáculo não é tão inacessível quanto parece. O público, por exemplo, irá formar seu entendimento particular através desse mosaico de informações, muitas vezes entrecortadas.
As citações faladas são em inglês. Angela explica que, anteriormente, tentou vertê-las para o português mas não obteve o resultado desejado. Outra curiosidade, além dos cenários e perfomances, é a trilha sonora assinada por Hendrik Lorezen que utiliza uma das mais conhecidas músicas de Tom Jobim e Vinícius de Moraes - ‘‘Eu Sei que Vou te Amar’’, cantada por Maria Creuza. ‘‘A música não se apresenta como é. Ela sofreu interferência, foi um pouco tratada’’- adianta Lorezen.
Fade - A Triptych of Stolen StoriesEssa é a primeira vez que o espetáculo é apresentado no exterior. A primeira encenação aconteceu em Hamburgo (Alemanha), onde o grupo de Angela Guerreiro está sediado, em novembro do ano passado. A dançarina, portuguesa de nascimento, tem formação clássica e segue a linha da Royal Academy of Dance, onde estudou. De 90 a 94, ela foi membro permanente do grupo português Real/João Fiadeiro. Vive em Hamburgo há três anos.

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