PARA FINOS COMENSAIS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2001
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
Aos 42 anos, o advogado Luiz Roberto Pinho Borges divide equitativamente sua vida carioca, brasiliense e curitibana: 21 anos entre Rio e Brasília e os últimos 21 em Curitiba. Atual diretor-executivo da Associação dos Dirigentes de Vendas do Brasil, tem em seu passado uma carreira feita de cargos de confiança nas gestões de José Richa, Álvaro Dias, Roberto Requião e Mário Pereira, tendo sido seu chefe de gabinete. Deixou as salas e ante-salas políticas para ser diretor de marketing do Estação Plaza Show desde sua construção, e ali permaneceu por mais dois anos. Saiu para ingressar na ADVB e participa em sociedade de um escritório de advocacia.
Por esse perfil dá para perceber que Borges circula no meio de gente influente e poderosa. Ele prefere dizer que a marca que mais o define profissionalmente é a administração pública e especialização em marketing. Duas áreas fascinantes. Orgulha-se em dizer que ao contrário da maioria dos que atuam em política, seu patrimônio não cresceu. Tive oportunidade de trabalhar só com pessoas sérias, diz com devida diplomacia.
Pois bem, longe das decisões profissionais e das mesuras políticas, Luiz Roberto tem como terapia a culinária. Estar na cozinha é um território onde se dá a alquimia dos sentimentos com os sabores. Ali o carioca simpático e falante entra noutro mundo. Ele ensina: Na cozinha você não pode ser prático, objetivo, nem fazer as coisas com pressa. É um princípio. A boa comida não tem medidas. A minha tem total improvisação de quantidades, revela.
A generosidade nos temperos tem a sutileza das emoções. É impossível seguir receitas de forma milimétrica porque a vida não tem esses limites tão bem delineados, então para se cozinhar é preciso jogar com as imprecisões, comandadas pelo olhar. Um pouco mais de azeite, dobrar a dose do vinho, deixar mais tempo no fogo: é uma ciência que só a intuição pode passar. Para mim a sensibilidade na cozinha não é fazer curso com mestre francês e copiá-lo. O bom cozinheiro sabe adequar-se àquilo que ele tem no momento.
Quando falo que é uma terapia é porque esse trabalho todo é uma entrega da gente aos amigos. Se eu estiver preparando um prato e não me concentrar naquilo, não vai dar certo. Mexer com alimento é o mesmo que mexer com o amor, com a ternura. É claro que o pagamento tem que vir do outro lado: Não conheço nenhum cozinheiro que não goste de ser elogiado. Esse é o pagamento.
Uma receita que faz enorme sucesso, mas exige dessas dedicações extremamente amorosas é o risoto de camarão, que ele preparou especialmente para a coluna de Gastronomia. Esse prato não tem receita básica, insiste Luiz Roberto. Assim como serviu a pequenos grupos de amigos, também o fez num jantar para mais de 30 pessoas da ADVB. Uma platéia de comensais de extremo padrão, como ele define. O preparo é quase uma novela, pois se for servir um jantar, é bom dar início ao preparo na hora do almoço. No caso de almoço, antecipe a primeira fase na véspera, à noite. A receita que ele sugere dá para quatro pessoas.


