São Paulo - Sabe aquele hóspede que chega ao saguão do hotel com três malas enormes, mais uma valise de mão, além de dois casacos volumosos e um cachecol que teimam em escapar dos braços? Eis um exemplo de quem ainda tem muito que aprender para ser considerado um viajante de classe. A menos que a abundante bagagem tenha algum motivo específico - são apostilas para distribuir aos participantes de um congresso, por exemplo -, não há justificativa para carregar a casa nas costas dessa forma.
''É muito fora de moda viajar com malas enormes'', diz Esther Proença Soares, consultora de etiqueta social e marketing pessoal e autora do livro ''A Mesa, Arranjo e Etiqueta''. ''A mala ideal é aquela que você pode carregar sozinho.'' A bagagem assim, econômica, transpira civilidade.
Primeiro, porque o proprietário mostra que é alguém adaptável, com jogo de cintura suficiente para enfrentar situações difíceis como uma greve de carregadores ou de taxistas em um país distante, sem perder a serenidade. Segundo, porque pessoas verdadeiramente chiques conseguem variar o figurino com poucas peças à mão e com a ajuda de acessórios como bijuterias e lenços que cabem em qualquer mala.
Gentileza nunca é demais ao chegar ao local de hospedagem. Tenha paciência para esperar pela conclusão dos procedimentos sempre burocráticos do check-in, especialmente nas excursões em grupo. O hotel leva mesmo algum tempo para distribuir as pessoas pelos quartos, entregar chaves e fornecer as informações necessárias.
Situação bastante comum na chegada ao hotel é a do viajante decepcionado com as instalações. Para evitar isso, é indispensável procurar informações sobre o estabelecimento antes de comprar o pacote. Hoje, qualquer busca na internet ajuda a desvendar detalhes de um hotel ou de um resort e a maioria deles tem call centers que podem prestar esclarecimentos antes do embarque.
Depois da compra, pouco pode ser feito - e menos ainda quando já se está no destino. A pior providência, com certeza, é armar um escândalo e atrasar a rotina do grupo enquanto os responsáveis tentam contornar a sua insatisfação. Se achar que foi prejudicado, reúna o material de divulgação da operadora turística, fotografe tudo o que puder mostrar que você recebeu um serviço inferior ao que contratou e, provas em mãos, deixe para pedir o ressarcimento na volta para casa. Azedar o passeio de todos não resolve e só contribui para torná-lo um chato de carteirinha.
Se está viajando a trabalho, não esqueça de se registrar no hotel com o nome pelo qual é conhecido profissionalmente - isso facilita caso alguém da empresa tenha um assunto urgente a tratar. Além disso, evita a tremenda gafe de não ser encontrado por um anfitrião apenas porque essa pessoa desconhece aquele obscuro nome do meio que só a sua mãe lembra que você carrega no certidão de nascimento.
Hora certa
No meio de hospedagem - hotel, pousada ou albergue -, acate os horários das refeições, do serviço de quarto, de funcionamento da lavanderia, da piscina, do fitness center, do bar e de qualquer outro espaço coletivo. Em geral, quando não estão abertas ao uso, essas áreas passam por manutenção e limpeza - voltar alegrinho da balada e se jogar na piscina não vai ter graça nenhuma, portanto, para os funcionários.
Não esqueça de prestar atenção às regras do hotel - como a proibição, muito comum, de usar o próprio ferro de passar roupas. Mantenha o mínimo de organização no quarto, para facilitar a limpeza. É claro que a camareira vai dar aquela geral, mas não é por isso que você vai deixar migalhas de comida espalhadas. Outro lembrete: quem quer serviço exclusivo paga por ele e, ainda que pague, não ganha o direito de desrespeitar ninguém. (M.N./Agência Estado)

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