O investimento da Band em teledramaturgia sempre foi pontual e esbarrava na falta de know-how da emissora e de público interessado. Mas, com "Terminadores", série que estreia terça-feira, o canal parece ter encontrado um novo formato para apostar no gênero.
Idealizada por Gualter Pupo e pela produtora independente Hungry Man, a série foi realizada com verba do Fundo Setorial do Audiovisual e recursos públicos da Agência Nacional do Cinema e conta com a coprodução entre Band e TNT. "Estamos muito empolgados com essa parceria entre a Band, TNT e a Hungry Man. É um projeto de altíssima qualidade que une o perfil dos dois canais e fomenta a dramaturgia independente", valoriza Fernando Sugueno, diretor de programação da rede.
Com a primeira temporada fechada em oito episódios, o canal e a emissora acordaram que irão exibir dois episódios por dia e que a Band irá mostrá-los primeiro. Dois dias depois, é a vez do TNT. "Esse modelo de coexibição é bom para todos os lados. O público também ganha uma nova janela", ressalta Rogério Gallo, vice-presidente do Núcleo de Entretenimento da Turner do Brasil, empresa que administra o canal pago.
Ambientada em uma fictícia agência que promove separações, a série se utiliza do tom de comédia romântica para ironizar as relações amorosas. Os clientes da "Terminadores" variam entre casais comuns que não aguentam mais a monotonia, celebridades em crise e praticantes de suingue, todos na busca pelo melhor jeito de pôr fim aos seus enlaces.
Na eixo central da trama estão César, um ex-psicanalista excêntrico interpretado por Paulo Tiefenthaler, e sua parceira Diana, uma ex-cerimonialista extremamente persuasiva vivida por Laila Zaid. "Recebo muitos roteiros, principalmente de humor, e esse era especialmente bom, fino e sofisticado. A gente parte de contrastes para falar da referência de amor que cada um carrega. A minha personagem utilizou o serviço antes de trabalhar na empresa. No entanto, ela não abre mão da ideia de que é possível ter um final feliz", destaca Laila.
O idealismo do amor forte e vivo praticado por Diana encontra seu principal opositor na figura cética, pragmática e desesperançosa de César. "César foi banido da psicanálise porque era muito sincero com seus pacientes. Achei o personagem muito sagaz e provocador, eles queriam alguém meio 'cara de pau' para encarar esse tipo e me chamaram", resume Tiefenthaler, entre risos.
Protagonista da produção, Paulo está no projeto desde o início do ano passado. A princípio, o dono da agência seria uma personagem feminina, mas a presença espirituosa do ator nos bastidores acabou alterando a dinâmica da série. "O Gualter é do tipo de diretor e produtor que gosta de criar de forma coletiva. Adorei essa ideia de 'fim' que a série aborda. É um momento difícil para todo mundo, mas que pode render histórias hilárias", avalia o ator.
Gravada no Rio de Janeiro entre setembro e novembro do ano passado, "Terminadores" é uma oportunidade que a Band tem de achar seu nicho de mercado dentro do setor de teledramaturgia. No elenco, ainda estão nomes como Stella Miranda no papel de Ruth, uma experiente advogada que acaba funcionado como uma "faz tudo" dentro da agência, e Daniel Furlan, intérprete do enlouquecido Aquiles. "A linguagem da série tem mais sintonia com o que é exibido na tevê paga, mas pode surpreender em uma emissora menos tradicionalista como a Band", acredita Furlan.
O diretor Gualter Pupo reforça o apelo popular e a qualidade técnica da série. E valoriza a autonomia de tocar em temas e piadas que, na tevê aberta, ele não poderia exibir em qualquer emissora. "A junção entre grandes profissionais e jovens talentos foi fundamental para contar essa história e ter o resultado esperado. Durante as filmagens, me dei conta de que tínhamos um padrão técnico bastante cuidadoso, com uma narrativa cheia de loucuras e liberdades", conta Gualter.

Serviço
"Terminadores" – Estreia terça-feira, às 22h30, na Band

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