Para Dimenstein, iniciativas devem começar na infância
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segunda-feira, 28 de julho de 2003
Reportagem Local 
''A paz não é algo natural do ser humano e tem que ser construída''. Essa é a opinião do jornalistas Gilberto Dimenstein, um dos mais premiados do país, com trabalhos renomados na área dos Direitos Humanos e Infância. Ele esteve em Londrina, na semana passada, para proferir palestra sobre Cooperativa Cidadã, durante o 12º Jovemcoop Encontro Estadual de Jovens Cooperativistas, realizado pela Cooperativa Integrada, Ocepar e Sescoop/PR. Dimenstein é membro do conselho editorial da Folha de S. Paulo, comentarista da Rádio CBN, além de ser membro da Comissão Executiva do Pacto da Criança, coordenada pelo Unicef.
Na sua opinião, iniciativas que trabalhem a temática da paz devem começar na infância, como trabalho preventivo. ''Não temos essa tradição no Brasil e, se isso acontece em Londrina, a cidade está de parabéns'', disse.
Questionado sobre o projeto de restrições ao porte de arma, em discussão no Congresso, Dimenstein afirmou ser totalmente contra o uso de arma de fogo. ''Isso só promove a violência, que é a maior síntese da exclusão social.''
Ele também comentou sobre a importância do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que no último dia 13 comemorou 13 anos de vigência. ''A lei é extremamente adequada, mas passa por questões econômicas para realmente ser colocada em prática. Parece chavão político, mas tem que ter investimento na educação e distribuição de renda para termos mais justiça.''
Dimenstein também disse estar otimista com relação ao governo atual na valorização da educação, ''que é o caminho do progresso social'', embora considere precoce uma avaliação mais profunda. ''Dos 440 mil novos desempregados do Brasil nos últimos seis meses, de um total de 2,7 milhões (dado do mês de junho/IBGE), 70 mil não têm o segundo grau completo e isso restringe muito as oportunidades de ter um emprego, que gere uma vida com dignidade'', destacou. Na palestra, ele também enfatizou a importância das empresas e cooperativas abrirem espaço para a aprendizagem de jovens, cumprindo o seu papel de responsabilidade social. (A.P.N.)


