Curitiba - A pressão é grande. E a menos que você consiga se esconder a uns 3 mil quilômetros abaixo (ou acima) da terra não vai poder fugir. Então, encare a realidade, abra um sorriso e responda: o que você vai fazer no Natal? Já escolheu os presentes? Não? Não se desespere, ainda há tempo e mesmo que você acredite que o Natal não é uma data comercial, já está tarde demais para tentar convencer seu ''amigo oculto'', sobrinhos, afilhados e parentes mais próximos que já devem estar escolhendo o cardápio da ceia de que presentear nessa data não é importante. Então, mãos à obra, ainda há tempo. Para ajudar os leitores nessa difícil tarefa, três pessoas convidadas pela reportagem da Folha foram às lojas com objetos para todos os tipos de gostos e bolsos. O resultado você vê a seguir.
Quem disse que presente barato não pode ser bacana? Para a jornalista especializada em moda, Adélia Maria Lopes, para quem quer e precisa economizar no Natal, as lojas de R$ 1,99 são uma ótima opção. ''Não se deve ter preconceito com o preço. Com criatividade, se encontra coisas baratinhas e que podem agradar a todos'', ensina. Num rápido passeio por uma loja do gênero, em Curitiba, Adélia reclama do preço alto dos brinquedos, mas encontra uma opção para a neta, Gabriela, de 8 anos. ''Para ela, daria esse cofrinho. É lindo e ela precisa aprender a economizar'', brinca. A lembrança custa um pouco mais do que o nome da loja sugere, R$ 4,99, mas mesmo assim, é um preço acessível em comparação aos importados.
Depois de procurar um pouco mais, Adélia também encontra um presente ideal para o terapeuta: um porta incenso. Esse, pelo preço de R$ 1,99 mesmo. ''O objeto chama a atenção, é útil e custa R$ 15 em feiras de artesanato. Aqui a gente economiza''. Também pelo mesmo preço, pouco menos que R$ 2 cada, Adélia encontra copos, pratos, talheres e jogos americanos. Dá até para montar uma bela mesa para o Natal. ''O presente ideal para uma amiga ou para mim mesmo'', sugere a jornalista.
O diretor de teatro Marcio Abreu é menos modesto quando o assunto é se presentear e, se pudesse escolher, daria a si próprio um ultramoderno I Book. ''Pela simples razão de que eu preciso. Não é só um sonho de consumo. Um equipamento desses me ajudaria no trabalho porque eu viajo muito. Ele é leve e tem capacidade para armazenar muitos arquivos'', justifica Abreu. O sonho de consumo sai pela bagatela de R$ 4.889, na Fnac.
Um passeio pela mesma loja, uma megastore que reúne desde livros e CDs a equipamentos eletrônicos, Abreu escolhe os presentes que daria para os amigos. Para o ator Ranieri Gonzalez, parceiro de trabalho, daria o recém-lançado livro ''Folhas de Relva'', de Walt Whitman (R$ 44), com tradução de Rodrigo Garcia Lopes. Para a amiga, também atriz, Cristiane de Macedo, o presente ficaria por conta dos versos de Carpinejar, descritos no livro ''Como no Céu'' (R$ 29). ''Carpinejar é um dos maiores poetas brasileiros da atualidade. Ele é jovem, mas escreve como alguém que tem muito mais idade e experiência''.
Outra dica interessante de Abreu, para quem quer presentear amigos especiais, é o livro ''Bartleby, o escrivão'', de Herman Melville. A edição da Cosaf&Naif já vale o presente. O livro precisa ser descosturado para ser lido e todas as páginas estão grudadas. O leitor, vai literalmente, descobrindo uma página e um mundo novo a cada folha virada. E na sessão DVDs, o diretor de teatro encontra uma pérola para presentear amigos de toda uma vida, como a caixa que reúne quatro filmes de Ingmar Bergman (R$ 147,90). ''Esse eu daria para Milla Yung, porque ela gosta de ficar em casa assistindo filmes e é uma pessoa intensa como o Bergman'', elogia Abreu.
A fotógrafa Milla Yung, por sua vez, também escolheu um presente para Marcio Abreu. Coincidentemente (eles não se encontraram para essa reportagem), um presente para casa, na ótima loja de artesanato brasileiros ''Empório Brasil'' (Alameda D.Pedro II, nº 44, Curitiba). Para Marcio Abreu ela escolheu uma útil e criativa chaleira que se desmembra em uma xícara. ''Daria para um amigo do coração. E como o Marcio está mudando de casa, pode ser bem útil'', diz. O objeto, disponível em várias cores e desenhos é de autoria da artista plástica paulista Olga.
Também para presentear amigos, Milla escolheria estatuetas de madeira do artista paraibano Elias. São peças que lembram os traços de Picasso cuidadosamente entalhadas. Aí, o preço, vai depender do bolso de quem presenteia. As maiores custam R$ 135, mas é possível encontrar miniaturas por R$ 30.
E se a grana estiver curta, ainda é possível escolher um presente de bom gosto. Velas por exemplo, figuram na lista da fotógrafa para amigos e colegas de trabalho. ''Ou alguma parceria que fiz durante o ano. É uma lembrança delicada''. Na loja, o arranjo sai por R$ 25 e o anjo decorativo por R$ 12. Ainda na sessão lembranças delicadas, a fotógrafa não esquece o tradicional amigo secreto e sugere uma boa pedida: caixinhas de madeiras delicadamente decoradas. As maiores saem por R$ 49,00 e as menores pode ser adquiridas por R$ 15.
Mas quando o assunto é presentear a si mesma, Milla também não poupa o sonho e escolhe, na nossa brincadeira de presentear, as famosas ''Mulheres Fragmentadas'', escultura de madeira assinada pelo mineiro Humberto Araújo. A escultura custa R$ 2.600,00. Mas se a fotógrafa não dispõe de verba para comprar o mimo, não é problema. Vai que o Papai Noel esteja lendo essa reportagem?

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