Para curar os chatos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de maio de 2002
Marcos Losnak Especial para a Folha 
Sempre tem alguém querendo ser dono de tudo. Sempre tem alguém que acha que tudo tem que ser do jeito dele. Também sempre tem alguém que gosta de escolher a brincadeira que mais lhe agrada e estabelecer as regras do jogo.
Do mesmo modo, sempre tem alguém que não possui nada. Sempre tem alguém que faz as coisas como os outros mandam. Como também sempre tem alguém que brinca da maneira que o outro deseja e aceita a imposição das regras do jogo.
Não é difícil perceber que, de maneira geral, o mundo possui geralmente dois lados, dois pólos. A convivência entre esses dois lados está sempre em movimento, entre atritos e acertos. Mas não seria nada absurdo imaginar uma situação em que os dois pólos se encontrassem para conversar, cada uma caminhando em direção ao centro, na metade do caminho entre um e outro.
Essa possível conversa é acalentada por Eva Furnari em uma nova coleção de livros infantis, intitulada Os Bobos da Corte, publicada pela Editora Moderna. Os três títulos iniciais da coleção, Rumboldo, Tartufo e Dauzinho, contam história de reis com manias bem esquisitas. Ao colocarem essa manias como leis para todas a pessoas cumprirem, acabam criando confusões monstruosas.
Dauzinho traz a histórias de um pequeno príncipe que resolveu que todas as pessoas do reino tinham que ser iguais. Para isso criou leis que obrigavam os homens a terem nariz do tipo brigadeiro amassado e todas as mulheres nariz do tipo cenoura gorda.
Rumboldo apresenta a história de um rei que, por causa de um simples cocô de passarinho, proibiu todos os pássaros do reino de comer, voar e cantar. Felizmente as aves não deram nenhuma atenção à decisão do rei e continuaram comendo, cantando, voando e fazendo cocô.
Tartufo narra a história de um rei profundamente mal-humorado. Sempre havia uma nuvem escura e pesada sobre a sua cabeça. E toda vez que alguém contrariasse suas vontades, tinha um ataque e a nuvem disparava raios para todos os lados. Sofria quem estava por perto, principalmente o bobo da corte.
Através das bem-humoradas histórias desses chatos de galocha reais, Eva Furnari revela como uma única pessoa pode criar enormes problemas. E como esses problemas podem ser solucionados com o envolvimento de todos, principalmente dos causadores de todo o problema.
Serviço:
- Rumbolbo, texto e ilustrações de Eva Furnari, Editora Moderna, 32 páginas, R$ 8,00.
- Dauzinho texto e ilustrações de Eva Furnari, Editora Moderna, 32 páginas, R$ 8,00.
- Tartufo texto e ilustrações de Eva Furnari, Editora Moderna, 32 páginas, R$ 8,00.


