Para corações dilacerados
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de maio de 1999
Antônio Mariano Júnior 
Tá tocando que é uma beleza!!! Basta ligar o rádio ou sintonizar em qualquer programa de auditório de TV e lá estão ela mais ele fazendo caras e bocas - performances manjadas - para cantar Amanhã, uma canção espanhola que recebeu uma versão em português de Naná. Mas caiu na graça do povão. Daí... Daí que Roberta Miranda não tem o que reclamar já que a tal música, que conta com a participação especial de Reginaldo Rossi - tido como o rei do brega -, que o sul do País está redescobrindo. Pois muito bem, Amanhã é o carro-chefe de Caminhos, 12º disco de Roberta Miranda.
Uma bela tacada de marketing da gravadora Universal. Uma não, duas tacadas, já que a carreira de Roberta Miranda bem que estava precisando de um tchan a mais e a de Reginaldo Rossi ainda requer um pouco mais de fatos e gentes para se reafirmar fora do Nordeste. Até um clip, de um mau gosto ímpar, gravado num trem de metrô, foi produzido para alavancar a vendas do disco. Enfim, o encontro que vem rendendo bons dividendos, em quinze dias de lançamento, Caminhos, o disco, havia vendido perto de 200 mil cópias. O disco teve lançamento simultâneo no Brasil e em Portugal.
Por sua vez, Roberta Miranda nega que a participação de Reginaldo Rossi tenha alguma jogada mercadológica. Eu chamei e ele se prontificou imediatamente. Fiquei feliz porque o Reginaldo é amado em todo o Brasil. Foi uma forma também de dois nordestinos, eu e ele, prestarem uma homenagem a todos os nordestinos que vivem em vários lugares do Brasil e que gostam do nosso trabalho- analisa ela.
Tá, tá bom! Tirando essa feliz e rentável união de dois ídolos populares, a única novidade do novo disco de Roberta Miranda se deve ao fato de trazê-la mais presente como compositora - das 13 faixas, ela assina quatro sozinhas (além de duas versões), três com Michael Sullivan e uma com Villanova; as duas outras são de autoria de César Augusto (No Coração, a Paixão, e na Cabeça, o Ciúme) e também de César Augusto com Zezé di Camargo (Fim de Conversa).
No mais, Caminhos repete a fórmula que consagrou Roberta Miranda. Fala, como de costume, de amores mal resolvidos e cotovelo em chamas. Tudo isso através - e principalmente - de baladonas românticas e algumas músicas, digamos, mais alegrinhas. Um repertório perfeito para quem teve o suburbano coração pisado por alguém.


