Para chorar com estilo
Ranulfo Pedreiro
De Londrina
Pixinguinha já dizia, com toda autoridade, que o choro ia além da partitura, principalmente pela capacidade de improviso e pelas interpretações personalizadas. Mas a falta de edição de músicas e livros de estudos do gênero dificulta o aprendizado de quem não tem contato com as rodas de choro, o que propicia possíveis enganos por se ater exclusivamente aos ouvidos.
Aos poucos algumas iniciativas tomam a contramão dessa tendência ancoradas, entre outros, no trabalho de Almir Chediak com a Editora Lumiar. Como revelação das rodas de choro do Rio de Janeiro, Mário Seve é um dos fundadores do grupo Nó em Pingo DÁgua, que prima por se embasar no gênero em seus discos.
Seve está lançando o livro Vocabulário do Choro, elaborado com minuciosa pesquisa sobre um dos estilos mais antigos da música brasileira. Depois de se debruçar sobre a obra de Pixinguinha, Seve - que toca flauta e saxofone - reuniu alguns fraseados característicos. Estruturas similares também foram encontradas nos trabalhos de outros autores.
Com a descoberta, Seve elaborou um livro com 221 páginas repleto de exercícios e melodias escritas em todos os tons, além de transmitir explicações detalhadas sobre a divisão de tempo e ritmo no choro. A idéia do autor é familiarizar os músicos com os elementos que compõem a linguagem do estilo, numa espécie de vocabulário.
O resultado é importante não só para os aprendizes e estudiosos, mas principalmente por compilar os detalhes de uma arte que não é transcrita com frequência. Além disso, não se tem conhecimento de outra obra que se propõe a compilar e explicar os macetes do choro. É, portanto, um trabalho pioneiro e necessário para nossa memória musical.
Comecei a analisar as composições do Pixinguinha e percebi que havia vários modelos que se repetiam. Vi que isso também acontecia com outros autores, e resolvi transformá-los em estudos para as pessoas se familiarizarem. Desenvolvi 150 estudos e uma pequena análise sobre as frases melódicas, comenta Mário Seve.
O livro traz ainda a Suíte em Choro, com cinco composições do autor arranjadas para sopro e piano, mas que podem ser transferidas para outros formatos. Não se trata de um ensaio, mas um estudo, é um livro para manuseio. Pela prática do exercício a pessoa toma intimidade com a linguagem, ressalta.
O livro conta com prefácio de Paulo Moura, ilustração de Bruno Liberati e ganhou edição bilíngue (português-inglês), visando ao interesse que o choro vem despertando no exterior. Antes, a única alternativa era aprender de ouvido. Com a publicação, já não há motivos para ocorrer certos enganos. Agora temos uma possibilidade, mas ainda há muito o que ser feito, assegura o músico. O Vocabulário do Choro tem distribuição nacional pela Lumiar Editora - telefones (0+ código da operadora +21) 541-9149/541-4045 e 542-6686.O flautista e saxofonista Mário Seve está lançando Vocabulário do Choro, obra que se propõe a familiarizar músicos com os detalhes do gênero
Rodrigo Lopes/DivulgaçãoNum trabalho pioneiro, Mário Seve compilou módulos presentes na obra de Pixinguinha e de outros mestres do estiloReprodução





