O gosto pelos temperos e cheiros da cozinha começou a despertar a atenção do médico Antonio Carlos Pazinatto ainda quando criança, na casa de sua família no inteiror de São Paulo. Pazinatto, que chegou a Londrina para estudar medicina e nunca mais deixou a cidade, lembra que a cozinha da casa de sua mãe era sempre muito movimentada. ‘‘A família era grande e cozinhar virou uma espécie de vício em minha família. Desde de pequeno eu participava de toda a movimentação na cozinha, cortava legumes, ajudava a preparar as saladas, enfim, cozinhar acabou sendo bem natural’’, conta.
Tão natural que o médico acabou tornando-se um verdadeiro estudioso sobre o assunto. Tanto que Pazinatto aproveita as viagens que faz para participar de congressos médicos para conhecer melhor a cozinha de cada lugar. ‘‘É uma forma interessante de conhecer a cultura, a culinária diz muito sobre os costumes e sobre a história de cada região. Para se ter uma idéia de como os sabores influenciam, um dos motivos que levaram o Duque de Sforza (nobre italiano mecenas das artes) a contratar o mestre e gênio Leonardo da Vinci para construir seu palácio foi porque ele era também um mestre na cozinha’’, conta Pazinatto.
Adepto da teoria de que a culinária é o melhor jeito de influenciar pessoas e fazer amigos, o médico conta que se não fosse o intercâmbio entre sabores, a Itália jamais seria consagrada pelo seu molho de tomate. ‘‘A culinária européia sofreu profundas mudanças com o descobrimento da América, já que o tomate acabou sendo levado para a Europa somente depois disso. Antes do descobrimento, os molhos eram feitos com vinho e vinagre, o que era muito sem graça. Você acha que a macarronada iria ganhar fama mundial com um molho ralo deste?’’
Para Pazinatto, a melhor forma de aprender a fazer um prato é mesmo com a mão na massa, vendo alguém prepará-lo. Isto, supera qualquer receita. ‘‘Sempre acabo minhas viagens em alguma cozinha vendo um chef preparando um prato. Quando gosto de uma comida, não sossego enquanto não souber como se faz e, muitas vezes, o jeito é mesmo perguntar para o cozinheiro. Mas os chefs adoram esta abordagem’’, garante.
‘‘Uma refeição é um ato que deve ser partilhado com as pessoas que gostamos, já que é uma das celebrações da vida mais fáceis de serem feitas. Basta uma roda de amigos, um bom prato e muitos sabores, é por isto que muitas vezes um macarrão feito rapidinho, de última hora, fica na memória das pessoas para sempre’’, afirma o médico-cozinheiro que, selecionou para a Folha2, um receita bem fácil, própria para uma rápida celebração.

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