O corre-corre contagia. Mas, uma vez em Manhattan, o ideal é conhecê-la com calma. Parando para um refresco aqui e ali, relaxando no banco de praça, saboreando um cachorro-quente do carrinho mais próximo por US$ 1,50. Assim, em meio à mistura étnica local, é fácil sentir-se como um morador.
Mas não se engane. Mapa na mão, trace um roteiro para cada dia e visite bairros distintos. Sem deixar de lado programas ‘‘clássicos’’. Sábado ou domingo no Soho, por exemplo, a área de Downtown que anos atrás era alternativa e hoje toma a linha chique e moderna.
Ao longo da West Broadway, a rua principal, e suas travessas – Spring, Prince e Greene –, o fim de semana é uma festa ao ar livre nesta época. Um desfile de caras e roupas e as calçadas tomadas por mesinhas. Lojas de grifes como Dolce & Gabbana, Shiseido, Diesel e Prada – a sensação atual por seu design arrojado – se misturam a marcas menos visadas e galerias de arte.
Se a fome bater, sobram opções. Sugestões? Félix, bistrô de um francês casado com uma brasileira (mariscos são a melhor pedida). Ou Balthazar, brasserie com bar de frutos do mar. Badalada, é um prato cheio para quem gosta de ostras. Se quiser um sanduíche, passe no Jerry’s, tipicamente americano, anos 50, com estofados em couro vermelho.
Bairro vizinho, Tribeca é o Soho de antigamente, menos turístico, onde se escondem celebridades. Caminhe pela Hudson Street, com galerias e restaurantes. Um deles, o Bubby’s, serve um brunch famoso no domingo. Dizem que John John Kennedy era sempre visto por lá.
Ao norte de Tribeca e Soho, o Greenwich Village – Waverly Place, Mac Dougal e Bleeker são algumas ruas principais – tem o clima jovem de seus frequentadores: os estudantes da New York University (NYU). Lá, brechós dividem espaço com bares e cafés agitados.
Ainda em Lower Manhattan, Chinatown se resume à Canal Street. Um mercadão a céu aberto para quem quiser comprar imitações de grifes; NoLita (ou North of Little Italy) reúne lojas de vanguarda; e Chelsea é um passeio para amantes de galerias que expõem trabalhos de artistas arrojados do naipe de Richard Serra Nan Goldin e Vik Muniz. Uma das famosas, a Gagosian. Todas ficam na área entre as Ruas 27 e 22 (na altura da Nona e Décima-Primeira Avenidas).
Os principais museus estão em Uptown, e três não podem ficar de fora: Museum of Modern Art (MoMa), Guggenheim e Metropolitan. É bom evitá-los nos fins de semana, quando ficam abarrotados.
Na Rua 53 com a Quinta Avenida, o MoMa é programa ideal para segunda-feira, já que os outros fecham. Ou então para sexta à tarde, quando não cobra ingresso (sugere-se doação). O museu abriga uma das maiores coleções de arte moderna do mundo. Em cartaz até o dia 27, está uma das principais retrospectivas apresentadas lá: a do pintor contemporâneo alemão Gerhard Richter. À mostra, 140 trabalhos datados desde 1962.
Depois da arte, nada como uma volta pelo Central Park, a poucas quadras. No parque, o bar da Boat House convida para um drinque. Almoço? Suba para a Rua 62, entre Quinta e Madison. O Amaranth tem cardápio mediterrâneo. É uma boa sugestão também para jantar quando a agitação toma conta.
Deixe a visita ao Metropolitan e ao Guggenheim para o mesmo dia, pois são vizinhos. O Guggenheim vale por sua renomada arquitetura moderna, assinada pelo famoso Frank Lloyd Wright. Sua coleção permanente inclui Paul Cézanne, Edgar Degas, Edouard Manet, Pablo Picasso e Vincent van Gogh. Em exibição até o dia 29, está Brazil – Body & Soul, uma celebração à arte e cultura tupiniquim, cobrindo desde o barroco até o modernismo. Inclui obras de Aleijadinho a Tarsila do Amaral e Lygia Pape. O destaque da exposição é o altar-mor de São Bento de Olinda.
O Met, por sua vez, é daqueles museus para ficar um dia todo ou para voltar várias vezes, com obras que vão desde os tempos pré-históricos até a atualidade. Uma das exibições de destaque até 19 de junho é Tapestry in the Renaissance – Art and Magnificence. Reúne 41 tapetes produzidos na Holanda, Itália e América entre 1420 e 1560.
No museu, não deixe de subir ao terraço de esculturas (Roof Garden), aberto de maio a novembro. O programa normalmente passa despercebido por visitantes. Lá em cima, há serviço de bebidas e sanduíches. E tem-se uma vista privilegiada de Nova York, com o Central Park florido, a seus pés.

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