Para atiçar a fantasia
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quinta-feira, 27 de novembro de 1997
Antônio Mariano Júnior 
Londrina
DivulgaçãoEvaldo Shiroma: erotismo também é culturaO organizador faz questão de deixar bem claro: pornografia não; erotismo sim! Erotismo está mais ligado ao sentimento enquanto o pornográfico é mais carnal- explica Evaldo Shiroma que inaugura hoje a 1ª Erotika Fair, uma feira que tem a intenção de mostrar que erotismo também é cultura. E rentável. Afinal de contas, ninguém investe R$ 480 mil num evento cuja pretensão é levar um público de 50 mil pessoas até o dia 1º de dezembro, no Galpão Fábrica, em São Paulo.
A idéia vinha rondando a cabeça de Shiroma há um ano. O ânimo veio também do fato de que somente no ano passado o mercado erótico movimentou R$ 500 milhões no país. Um sinal mais que evidente de que o brasileiro é, antes de mais nada, sexual. Adora sexo. As explicações para esse fato são muitas e não vêm ao caso, agora, tentar desvendá-las.
A motivação foi aumentando. Shiroma chegou até mesmo a fazer pesquisas informais para chegar a dados interessantes. Foram abordados, por ele, 100 mulheres e 50 homens. Aleatoriamente. Constatação: a grande maioria das mulheres nunca havia ido a um sexy-shopping; uma parcela pequena ja havia ido só que acompanhada; e uma mínima parcela havia ido sozinha.
Quanto aos homens, ainda de acordo com a tabulação dos dados de Shiroma, nenhum deles se sentiu intimidado ou repelido a entrar num sex-shopping para adquirir ou ver seja lá o que for. Por essas e outras, o promotor de eventos resolveu arriscar. Procurou patrocínio. Não encontrou e tirou do próprio bolso uma importância monetária que ele pretende, ao menos, ter de volta tostão por tostão. Ou seja, quer pelo menos empatar o investimento.
Bom gostoShiroma até entende a desconfiança dos patrocinadores. Eu já esperava por isso. Mas as alegações que ouvi serviram de incentivo para provar que a proposta da feira é de muito bom gosto. Tenho que passar credibilidade- avalia. Por isso, ele fez questão de convidar alguns possíveis patrocinadores para a famosa visitinha ao local para ver com os próprios olhos algo que se propõe a tratar o sexo de modo nada vulgar. Daí, o slogan do evento: Erotika Fair: erotismo e cultura na medida certa. Pecado é não ir.
Sim, a pretensão é popularizar e, principalmente, sedimentar a Erotika Fair. Ao ponto de Shiroma querer transformar sua iniciativa numa feira itinerante que, num prazo de dois anos, passaria por algumas das principais capitais do País - Rio de Janeiro, Salvador, Brasília e Curitiba. Para colocar a estrutura na estrada tudo vai depender da boa aceitação da primeira edição e também as condições (segurança, espaço físico, etc) que as cidades poderiam oferecer. A Erotika Fair está montada num espaço físico de 6,3 mil metros quadrados. Ao todo, 30 expositores que estarão vendendo os mais diversos produtos - de tatuagem a comidas afrodisíacas, passando por vídeos e sexo virtual e não se esquecendo, claro, de roupas íntimas, pênis de borracha e outros acessórios necessários a uns e outros.
O acesso só será permitido a maiores de 18 anos. Cada visitante terá que desembolsar R$ 10,00 para entrar no recinto. Haverá atrações. Diariamente, por exemplo, está agendado show (a R$ 5,00), sempre às 21 horas, da dupla Rosa e Rosinha que explora o lado mais caricato e sem graça dos homossexuais. Por R$ 2,00, os visitantes poderão assistir a shows de dança árabe, dança cigana, lambada aeróbica, desfile de lingerie, desfile de trajes sadomasoquistas, entre outros. Nesses entre outros estão os strip-teases. Tudo muito controlado. As mulheres mostram no máximo os seios e os homens aparecem no máximo de sunga- avisa Shiroma.
Há, ainda de acordo com o organizador, outras preocupações que não apenas a de mexer com a fantasia e o bolso do visitante. Uma delas é cultural - uma exposição que vai mostrar, através de obras, a história do erotismo. Outra, social - 5 por cento da bilheteria será destinada ao Grupo de Apoio e Prevenção à Aids (Gapa), além de ceder espaço para divulgação de trabalhos de entidades que lutam contra as drogas e prostituição infantil.
1ª Erotika Fair. De hoje a 1º de dezembro no Galpão Fábrica (Rua Tagipuru, 906, Barra Funda), em São Paulo. De segunda a quinta, das 14 às 22 horas; e aos finais de semana, das 10 às 22 horas. Ingressos:R$ 10,00. Acesso permitido apenas a maiores de 18 anos.


