No mínimo estranho o comportamento da Disney. Ao desconhecer o fenômeno do renascimento do musical adolescente ou infantil (''High Scholl Musical'', ''Bratz'', ''Camp Rock''), a produtora surpreende ao convocar o diretor Peter Chelsom para dirigir este ''Hannah Montana'', a partir de hoje em lançamento nacional (veja a programação de cinema na página 2). O cinema dele, via de regra entre razoável e bom, é sempre ácido e satírico, características que evidentemente não se encontram aqui. E muito menos convicção.
O argumento está inspirado em Miley Cirus, a própria protagonista. A fim de ''renegar o consumismo e a fama alienante'', a garota é obrigada pelo pai folclórico e moralista, o cantor country Billy Ray Cirus - um dos personagens menos convincentes que o cinema criou ultimamente, talvez pela própria breguice real - a passar algumas semanas na granja da família, no Tennessee. Ela oculta de seus vizinhos sua identidade artística, isto é, que é Hannah Montana, estudante e estrela pop, personagem musical-televisivo.
Os equívocos se sucedem, as caricaturas se impõem, quase tudo é muito previsível e carente do mais raso humor. Em meio ao bucolismo de vacas, galinhas e do inevitável romance com o moço jeca do local, a personagem acaba por cumprir a vontade paterna e recobra suas origens - o mais do que discutível conselho final é que se opte por uma dupla personalidade...
O que também surpreende, dado o êxito comercial da série televisiva, é a modéstia de uma produção que nem sequer se apoia em coreografias mais caprichadas, conformando-se com umas remediadas paisagens de western e uma direção artística pasteurizada. Pode-se detectar alguma energia nos números musicais, mas só neles: o restante é pura anemia. O filme pode até funcionar para garotinhas tietes da cantora, mas a partir desta faixa fica por conta e risco do espectador. Aqui não resta ninguém desavisado. (C.E.L.J.)

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